Quem deve ser responsabilizado?

CENÁRIO: 

Peter Baker, The New York Times/O Estado de S.Paulo

07 de março de 2014 | 02h06

Em Moscou, a pergunta que mais se ouve é: Quem deve ser responsabilizado? E Washington, desde que as forças de Vladimir Putin entraram na Ucrânia, se dedica a esse exercício tipicamente russo. À direita, muitos afirmam que o avanço de Moscou foi possível porque Barack Obama não sabe se impor em política externa. À esquerda, alguns afirmam que a culpa é de George W. Bush, que invadiu o Iraque e estabeleceu o precedente. Em ambos os lados, há quem culpe os serviços de inteligência, que não previram o envio de tropas russas à Crimeia.

O debate em torno de quem perdeu a Ucrânia reitera recriminações feitas durante a Guerra Fria, alimentadas por tecnologia e o tempero político do século 21. Obama, claro, tornou-se o principal alvo das críticas e foi acusado de agir de maneira branda em relação a Putin - e também sobre Síria, Irã e a outros vilões.

O fato de isso coincidir com a proposta de redução o Exército forneceu mais munição aos falcões da oposição. O mais provocador provavelmente foi o senador Lindsey Graham. "Permitir que americanos sejam mortos sem que ninguém pague é um convite para esse tipo de agressão na Ucrânia", tuitou. A Casa Branca respondeu: "As críticas do Partido Republicano constituem um ataque de baixo nível". Críticos acusam Obama de ceder à Rússia, reformular os planos sobre o programa de defesa antimísseis na Europa e se preocupar demais em consertar a relação com Moscou. Alguns republicanos temem exageros. Outros se mostram cautelosos e procuram modular suas críticas sem perder de vista a influência da Rússia. À CNN, o deputado Paul Ryan disse: "Precisamos ter claro que quem deve ser responsabilizado é Vladimir Putin".

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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