REUTERS/Luisa Gonzalez
REUTERS/Luisa Gonzalez

Quem é Guillermo Lasso, o banqueiro que se tornou presidente do Equador 

De origem humilde, Lasso cresceu no mundo financeiro antes de se tornar dono do Banco de Guyaquil, e foi derrotado pelo correísmo em duas eleições presidenciais, em 2013 e 2017

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2021 | 23h38
Atualizado 12 de abril de 2021 | 14h09

QUITO - Guillermo Lasso nasceu em um lar humilde em Guayaquil, em 1955, e deu um salto para se tornar um banqueiro antes de se lançar na política. Tentou se eleger presidente em 2013 e 2017, e foi derrotado duas vezes. Em sua terceira tentativa, Lasso se tornou presidente do Equador aos 65 anos

Um liberal que reluta em eliminar a dolarização em seu país e um conservador em questões como aborto e casamento igualitário, Lasso teve dois reveses eleitorais, contra o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) e o atual presidente Lenín Moreno (2017-2021).

Embora não exale o carisma de alguns de seus adversários, Lasso conseguiu convencer o eleitorado de que é o líder certo para assumir o país de 17 milhões de pessoas, que vive sua pior crise econômica e sanitária em décadas.

“Não queremos ocorrências perigosas, como querer eliminar a dolarização. Não acreditamos em ideias derivadas da inépcia ... não queremos improvisação e vamos mostrar que temos capacidade, vontade e experiência ”, afirmou no início de janeiro durante o lançamento da sua campanha em Quito.

Era uma referência aos comentários do ano passado de seu rival Arauz sobre uma eventual desdolarização da economia, que desde 2000 mantém o dólar como moeda para substituir o sucre.

Sem um diploma universitário, mas com alto reconhecimento acadêmico, Lasso vem de uma família humilde em Guayaquil, uma cidade portuária do Pacífico, e é o último de 11 irmãos. Desde os 15 anos foi forçado a trabalhar para pagar os estudos na escola.

Seu primeiro emprego foi na Bolsa de Valores, em uma das tarefas mais simples: escrever no quadro-negro os preços das diárias.Aos 22 anos começou a trabalhar como gerente da Procrédito, uma empresa que era a representante no Equador da financeira FeCrédito do Panamá. As duas  empresas se fundiram com a criação da Finansur, onde Lasso se tornaria CEO, aos 30 anos. 

Lasso cresceu no mundo financeiro até se tornar o dono do Banco de Guayaquil, nos anos 1990. Também ocupou o cargo de presidente executivo por 18 anos do Banco, até que em 2012 renunciou para se dedicar à vida política, fundando o próprio movimento político, o Creando Oportunidades 

Antes de criar seu partido, Lasso já havia participado da vida pública do país. Em 1998, o então presidente Jamil Mahuad o nomeou governador de Guayas. Ele ficou no cargo por um ano. Em 17 de agosto de 1999, quando uma crise econômica atingia com força o Equador, Mahuad nomeou Lasso super-ministro da Economia. Lasso tinha a responsabilidade de coordenar os ministérios de Finanças e Energia. 

Nessa ocasião ele foi o responsável pela dolarização da economia do Equador. De acordo com seus críticos, isso levou a uma migração em massa devido ao empobrecimento repentino de milhões de equatorianos.

Ele renunciaria ao cargo um mês depois de ser nomeado. Após sua saída desse governo, Lasso voltou a se dedicar à vida empresarial.

Um ano depois de criar seu partido, em 2013, ele embarcou em sua primeira aventura presidencial e foi derrotado por Correa, o líder de esquerda que conseguiu ser reeleito. Na segunda tentativa, em 2017, Lasso perdeu para Moreno, então amigo e parceiro de partido de Correa, de quem posteriormente se distanciou em meio a acusações mútuas de traição.

Desta vez, como nas duas campanhas anteriores, Lasso, casado e com cinco filhos, repete quase o mesmo discurso das propostas liberais na esfera econômica. E embora seja visto como um político sério, não tem o apelo que alguns de seus adversários despertam.

Andrés Páez, que foi seu companheiro de chapa em 2017, disse que Lasso “não é o político tradicional e carismático que desperta paixões nas multidões, mas é o político de que o país precisa neste momento”.

“É um homem frio para tomar decisões, medita muito sobre o que vai fazer” e também tem grande sensibilidade para os problemas sociais, acrescentou Páez em entrevista à AP.

O plano de governo de Lasso inclui a geração de empregos por meio da aprovação de novos mecanismos de contratação e maior presença de investidores estrangeiros, que pretende atrair com mudando nas leis para tornar o mercado financeiro mais atraente. Também promete gerar riqueza a partir de recursos de petróleo, mineração e energia por meio da participação do setor privado para substituir o financiamento estatal.

O ex-banqueiro garantiu que vai gerar dois milhões de empregos por meio do apoio financeiro a projetos produtivos em setores como agricultura, turismo e pesca, entre outros.

Lasso também propõe uma abertura econômica com um mercado livre e integração com outros mercados internacionais. Quando se trata de questões sociais, Lasso é visto como um conservador por causa de sua firme oposição à descriminalização do aborto.

A virada estratégica da campanha de Lasso incluiu um marketing de guerrilha. Ele usou o slogan #AndresNoMientasOtraVez (“Andrés, não minta novamente”) no debate na TV, em 21 de março, ganhando mais força nas redes sociais. “O confronto contra o socialismo do século 21 foi o slogan de toda a campanha. O ‘leitmotiv’ foi a Venezuela: crise humanitária, fracasso econômico, violação das liberdades e ditadura”, disse Ulloa.

Paralelamente, ele fez um apelo a setores progressistas da sociedade: LGBTQ, ambientalistas, ativistas, com uma mensagem de união e de esperança. Segundo Ulloa, “com a imagem de uma pessoa descontraída em busca de votos nas redes sociais, Lasso saiu da forma engessada de ex-banqueiro em busca de votos”. / AFP, AP E REUTERS

 

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