Uruguay's Interior Ministry via AFP
Uruguay's Interior Ministry via AFP

Quem é Rocco Morabito, o rei da cocaína de Milão e chefe da máfia calabresa

Italiano foi preso no Brasil nesta segunda-feira, 24, após passar dois anos foragido

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 22h01

Rei da cocaína de Milão e capo da máfia calabresa, Rocco Morabito, um dos criminosos mais procurados da Itália, foi preso  nesta segunda-feira, 24, em João Pessoa, na Paraíba. Membro da ‘Ndrangheta, considerada uma das maiores e mais poderosas organizações criminosas do mundo, ele estava foragido desde 2019, quando escapou de uma prisão no Uruguai. Antes disso, passou outros 23 anos incógnito depois que fugiu da Itália em 1994.  Conheça sua história.

Início de carreira

Morabito fez parte da 'Ndrangheta entre os anos de 1988 e 1994. No início de sua carreira, atuou como braço direito de seu tio, Domenico Antonio Mollica, um dos líderes da organização criminosa. 

Rocco era conhecido por seu estilo discreto e pregava menos uso de violência entre as famílias. Discreto, ficou famoso entre banqueiros e investidores de Milão. A eles, vendia drogas de boa qualidade, ficando conhecido como o 'rei da cocaína' da cidade.

Nesta época, segundo investigadores, o mafioso conseguiu faturar o equivalente a 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões) em pouco mais de dois meses. A polícia chegou a fotografá-lo cercado de seguranças que carregavam maletas cheias de dinheiro.

No fim de 1994, a polícia gravou telefonemas em que Morabito negociava a compra de quase uma tonelada de cocaína da América do Sul, numa transação estimada em  8 milhões de euros (pouco menos de aproximadamente R$ 52 milhões). Ele se tornou, então, um dos homens mais procurados da Itália.

Morabito já havia chamado a atenção da Interpol em anos anteriores, ao organizar o envio de um carregamento de 592 kg de cocaína em 1992 e outro de 630 kg em 1993. Nas duas ocasiões, os entorpecentes foram enviados do Brasil para a Itália.

Em 1995, autoridades emitiram um mandado internacional de prisão contra Morabito, acusado de diversos crimes relacionados ao tráfico de drogas. O objetivo era encontrá-lo e extraditá-lo para a Itália, onde já foi condenado a 30 anos de prisão.

Prisão no Uruguai

Morabito passou 23 anos foragido. Durante pelo menos 15 anos, ele viveu na cidade litorânea de Punta del Este, no Uruguai,  mas com nome e nacionalidade brasileira. De 2002 a 2017, ele atendia por "Francisco Capeletto", e se passava por “um empresário brasileiro que vivia da compra e venda de soja”. Enquanto isso, era um dos 5 homens mais procurados por tráfico internacional de drogas na Itália. 

Seu disfarce ruiu em 2017, quando matriculou sua filha em um colégio usando o sobrenome verdadeiro. Em setembro,  Morabito foi preso em um hotel de luxo em Montevidéu, para onde havia se mudado após uma briga com a mulher. 

Fuga 

Em 25 de junho de 2019, nas proximidades de sua extradição para a Itália, Morabito escapou do Presídio Central em Montevidéu. Segundo o Ministério do Interior do Uruguai, Morabito, então com 53 anos, conseguiu abrir um buraco no teto do presídio e, com outros três presos que também aguardavam extradição para o Brasil e a Argentina, escapou por um túnel de tubulação de ar que ficava entre o sexto andar e o telhado do presídio. Eles atravessaram por dentro da tubulação, passando pelo teto de um supermercado, para chegar ao terraço de um prédio geminado ao Presídio Central.

Capturado no Brasil

Morabito ficou foragido até esta segunda-feira, quando foi preso pela Polícia Federal brasileira. A investigação que resultou na captura do mafioso foi tocada em conjunto por policiais brasileiros e italianos, com participação de agentes da Interpol em Roma. 

No momento da prisão, ele estava acompanhado de outro foragido italiano, que também foi detido. De acordo com a Polícia Federal, a prisão do comparsa para fins de extradição à Itália também será solicitada ao STF.

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