REUTERS/Nathan Layne
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Quem é Steve Bannon e qual sua importância

Bannon trabalhou na campanha vitoriosa de Donald Trump à eleição dos EUA e foi um assessor próximo

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 12h19

Um dos principais assessores da campanha vitoriosa de Donald Trump 2016, Steve Bannon foi preso nesta quinta-feira, 20, em Nova York. Bannon, que atuou como estrategista da Casa Branca após as eleições e saiu ainda em 2017, é acusado de fraudar doações para a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, uma das promessas de Trump. 

Bannon e três outros réus "fraudaram centenas de milhares de doadores, capitalizando seus interesses em financiar um muro de fronteira para levantar milhões de dólares, sob a falsa pretensão de que todo esse dinheiro seria gasto em construção", informou o procurador-geral interino de Manhattan, Audrey Strauss.

De família católica irlandesa simpática aos democratas, Bannon começou a trabalhar no mercado financeiro após finalizar seus estudos, nos anos 1980, na Goldman Sachs. Em 1990, saiu da Goldman e fundou com colegas da Goldman em 1990 a Bannon & Co, tendo como objetivo “realizar investimentos em mídia”. 

Seus investimentos e ligações o levaram a ser convidado para dirigir o conhecido site de notícias Breitbart News, quando ficou famoso mundo afora pela defesa de ideias nacionalistas e pautas conservadoras. O site, fundado em 2007 por Andrew Breitbart, é um dos favoritos da direita conservadora e acusado de veicular notícias falsas e teorias de conspiração, bem como histórias enganosas. 

Antes que Trump surgisse no cenário e obtivesse a vitória eleitoral, o Breitbart News costumeiramente atacava o então presidente Barack Obama e o establishment democrata em temas como comércio, globalismo e a imigração.

A atuação no Breitbart News fez com que Bannon se aproximasse de Trump e assumisse a campanha do então candidato a partir de agosto de 2016. Em fevereiro de 2017, ele foi capa da revista Time, que o reconhecia como o verdadeiro cérebro da campanha por suas habilidades publicitárias e manipulatórias.

Bannon é conhecido no Brasil, na Hungria e na Itália por ter se aproximado de lideranças nacionalistas de direita. Ele se tornou uma espécie de assessor informal da família Bolsonaro - o presidente e seus filhos se reuniram com o ex-assessor de Trump em viagens aos Estados Unidos.

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Em entrevista ao Estadão em 2019, Bannon defendeu que "o populismo é o futuro da política". "O populismo de direita que foca na classe trabalhadora e classe média é o futuro. O fato de ter Trump, Salvini e Bolsonaro, nos EUA, Europa e América do Sul, mostra que o modelo funciona. Os três se conectam com a classe trabalhadora de uma forma visceral", afirmou.

Bannon também integrou o conselho da consultoria Cambrigde Analytica, acusada de usar dados de milhares de usuários do Facebook para interferir na eleição americana de 2016. A companhia de marketing político prestou serviço para a campanha de Trump e teve acesso a dados de pelo menos 87 milhões de pessoas com o objetivo de influenciar o resultado das eleições. 

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