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Quem ganha com o desgaste de Macron?

Autoridades já falam num novo acordo de Grenelle, semelhante ao firmado com sindicatos para encerrar as greves de maio de 1968

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2018 | 05h00

O atentado terrorista de Estrasburgo desviou a atenção da rebelião dos coletes amarelos, mas os protestos que já deixaram pelo menos 6 mortos e mais de 2.100 feridos na França não acabaram. As medidas anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron não aplacaram a ira.

Macron se recusa a restabelecer o imposto sobre fortunas (ISF), trocado no início do ano pelo imobiliário (ISI). Com a troca, não apenas justificou o slogan “presidente dos ricos”. Criou uma armadilha fiscal para si próprio. O resultado foi a queda de € 4 bilhões para  € 1 bilhão na arrecadação anual e a perda de € 5 bilhões até 2022. Para tapar o buraco, Macron contava com € 4 bilhões do imposto sobre combustíveis, mas teve de adiá-lo para apaziguar os “coletes amarelos”. Não se sabe como sairá do impasse.

Autoridades já falam num novo acordo de Grenelle, semelhante ao firmado com sindicatos para encerrar as greves de maio de 1968. Na mesa, revisão de impostos, benefícios sociais e incentivos à energia limpa. Desta vez, porém, a organização horizontal deixa o governo sem interlocutor confiável. Vandalismo e violência tomaram conta dos protestos. Em vez do espírito de Grenelle, proliferam teorias da conspiração, slogans racistas e o gesto antissemita conhecido como “quenelle”. O desgaste de Macron beneficia o extremismo.

Estrasburgo é polo conhecido de radicais

Pelo menos três ataques terroristas recentes na França têm conexões em Estrasburgo. O nome de Cherif Chekatt, morto pela polícia após cometer atentado na feira natalina da cidade, estava em dois registros de alerta: o cadastro S, dos anos 60, e o arquivo de prevenção ao terror, criado em 2015. O primeiro reúne 25 mil radicais de todo tipo, da extrema esquerda a hooligans. O segundo somava quase 18 mil nomes em 2017. Em Estrasburgo, são 110 radicais, segundo o jornal Le Parisien. A área do Baixo-Reno, com 224, está entre as de maior radicalização, ao lado de Paris, Lyon, Lille, Nîmes, Marselha, Toulouse, Nice e Orléans.

 

Superfaturamento e corrupção no PAC de Xi

Um Cinturão Uma Estrada, a iniciativa do chinês Xi Jinping para investir US$ 1 trilhão na infraestrutura de 80 países, interligando Ásia, Europa e África, parece mais o PAC de Dilma Rousseff que o New Deal de Franklin Roosevelt. Uma análise do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) revela baixa aderência das 173 obras já concluídas à estratégia de integração. Nenhum porto do Oceano Índico, diz o CSIS, tem futuro financeiro. Cerca de 270 projetos (32% do valor total) foram congelados por dúvidas sobre a viabilidade. “Ganham forma sobretudo pelos incentivos políticos”, diz o analista Tanner Greer. Os mais ambiciosos já existiam, foram apenas empacotados de novo. Descentralizados, financiados por bancos estatais, seguem à risca a “receita de superfaturamento e corrupção”.

Barraco entre Facebook e agência de checagem

Depois de romper com o Facebook, Brooke Binkowski, ex-editora da agência de checagem Snopes, recorreu ao jornal The Guardian para soltar o verbo: “Só nos usaram numa crise de relações públicas. Não levam nada a sério, estão interessados apenas na própria imagem e em faturar”. Em resposta, o Facebook afirma estar comprometido com o combate à desinformação e diz manter uma “relação sólida” com 35 parceiros de checagem em 24 países.

 

O nazismo do arquiteto Philip Johnson

A nova biografia de Philip Johnson, parceiro de Mies van der Rohe no edifício Seagram e um dos maiores nomes da arquitetura moderna, não deixa dúvida: ele não era mero “simpatizante” do nazismo, mas militante ativo. Frequentou a Juventude Hitlerista, comícios do Führer em Nuremberg, publicou panfletos e lavou dinheiro nazista, trabalhou para o populista Huey Long e para o padre Charles Coughlin, conhecido pelo antissemitismo. Depois da 2.ª Guerra, diz o biógrafo Mark Lamster, Johnson convenceu o mundo de que mudara. Recebeu, em 1956, sua primeira encomenda: o projeto de instalações nucleares em Rehovot, no recém-criado Estado de Israel. Em 1979, foi o primeiro agraciado com o Pritzker, maior prêmio da arquitetura mundial, criado por um empresário judeu.

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