Quem gosta de dinheiro deve evitar política, diz Mujica

O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, afirmou na tarde desta quarta-feira que a falta de confiança na classe política começa a surgir quando interesses políticos e econômicos se misturam. "Os que gostam muito de dinheiro é bom que se dediquem à indústria, ao comércio, a qualquer coisa, mas devem ser corridos da política", disse em entrevista coletiva na capital gaúcha, após participar da assinatura de acordo bilateral na área cultural, ao lado do governador Tarso Genro (PT).

GABRIELA LARA, Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 17h17

Segundo ele, os interesses daqueles que representam os cidadãos deveriam estar voltados ao bem comum, e não a questões comerciais. "Quando essas coisas se enredam, termina a verdade e a confiança na política", falou.

Os uruguaios vão às urnas escolher seu próximo presidente em 26 de outubro, três semanas depois da realização das eleições gerais no Brasil. A Frente Ampla (FA), de Mujica, tenta eleger o ex-presidente Tabaré Vazquez, que tem como principal oponente Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (PN).

Perguntado sobre o cenário eleitoral no Brasil, Mujica afirmou que o Uruguai teve uma relação de "muito respeito" com a presidente Dilma Rousseff (PT). Ele disse que não conhece a candidata do PSB, Marina Silva, e que não cabe a ele comentar a disputa política brasileira. "Seria uma piada de mau gosto que, eu presidente do Uruguai, opine sobre política dentro do Brasil por meio da imprensa. Queridos compatriotas, acertem-se e resolvam-se entre vocês", falou.

Mujica também disse que acredita na eleição de Tabaré Vazquez no Uruguai e citou as recentes pesquisas que apontam crescimento da coligação governista ante os opositores do Partido Nacional. "Estou seguro que Frente vá ganhar as eleições, o que está em jogo é a maioria Parlamentar", revelou.

O presidente ainda defendeu a legalização da maconha no Uruguai como forma de regularizar um mercado que já existe. "(A legalização) não tem nada que ver com o turismo, com a liberdade humana e com toda essa bobagem que se diz por aí", explicou.

Segundo ele, a legalização é uma forma de tentar combater o narcotráfico, responsável pelo aumento dos índices de delinquência e criminalidade. "Não sabemos se o que vamos fazer é solução, temos que experimentar. Por isso não posso recomendar ao Brasil, um país gigantesco. Vamos fazer a experiência e depois vemos."

América Latina

Mujica cumpre agenda desde hoje de manhã no Rio Grande do Sul. Mais cedo, ele visitou o Centro de Reciclagem de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, acompanhado da comitiva do governador gaúcho. O projeto integra a Cadeia Binacional do PET, desenvolvida pelo RS em parceria com o Uruguai e o Estado de Minas Gerais.

Em seu discurso em Novo Hamburgo, o presidente uruguaio defendeu a maior integração da América Latina, para fazer frente à União Europeia, Estados Unidos e China. "Por um lado temos que crescer nossas economias, porque as pessoas querem viver melhor. Mas ao mesmo tempo temos que nos juntar, nos integrar, porque o mundo que vem não tem lugar para os fracos. E, para serem fortes, os fracos têm que se juntar", disse.

Mujica encerra sua agenda no Rio Grande do Sul na noite de hoje, quando participa de um seminário sobre desenvolvimento sustentável promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Mais conteúdo sobre:
URUGUAIMUJICA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.