Tolga Akmen/AFP
Tolga Akmen/AFP

Quem são os candidatos a primeiro-ministro do Reino Unido?

Partido Conservador começou o processo de escolha de uma nova liderança, que também assumirá o governo do Reino Unido; saiba quem são os candidatos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 11h27
Atualizado 18 de junho de 2019 | 15h06

LONDRES -  O Partido Conservador iniciou com 10 candidatos, na segunda-feira, 10, a disputa pela vaga de líder do partido e primeiro-ministro do Reino Unido - os conservadores tem maioria no Parlamento. O futuro premiê terá a sua frente a dificil missão de conduzir os britânicos para o processo de saída da União Europeia e a formalização do Brexit, o mesmo desafio que derrubou a ex-premiê Theresa May.

Os 10 pré-candidatos formalizaram sua entrada na corrida no dia. Os que tiverem apoios suficientes, entraram na competição para a liderança do Partido Conservador, que a primeira-ministra britânica deixou no dia 7. Quem ganhar, será também o próximo primeiro-ministro britânico.

O ex-prefeito de Londres e principal garoto propaganda do Brexit, Boris Johnson, é o grande favorito. Segundo estimativas da revista britânica The Economist, ele tem 71,3% de chance de conquistar a vaga. Ele é seguido por Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros, com 14.3%, e Andrea Leadsom, com 8,6%, ex-líder da Câmara dos Comuns.

Veja abaixo um sumário dos candidatos que no páreo.

Boris Johnson

O ex-ministro das Relações Exteriores é o crítico mais explícito de May no tocante ao Brexit. Ele renunciou em julho em protesto à maneira como ela vem conduzindo as negociações da desfiliação.

Johnson, visto por muitos eurocéticos como o rosto da campanha do Brexit de 2016, pleiteou a liderança em um discurso bombástico na conferência anual do partido em outubro — alguns membros fizeram fila durante horas para conseguir um lugar.

Ele conclamou a sigla a retomar seus valores tradicionais, como impostos baixos, ao invés de tentar copiar as diretrizes do opositor Partido Trabalhista, de esquerda.

Jeremy Hunt

Hunt substituiu Johnson como chanceler em julho e instou os conservadores a deixarem de lado suas diferenças sobre o Brexit e se unirem contra um inimigo comum: a UE.

Hunt votou pela permanência no bloco no referendo de 2016. Ele serviu durante seis anos como ministro da Saúde – um papel que o tornou impopular entre muitos eleitores que trabalham para ou que dependem do Serviço Nacional de Saúde, órgão estatal financeiramente sobrecarregado.

Dominic Raab (eliminado na segunda votação) 

O negociador britânico do Brexit deixou o governo May em repúdio ao seu esboço de acordo de separação, dizendo que o pacto não cumpre as promessas que o Partido Conservador fez em uma eleição de 2017. Raab só serviu durante cinco meses como chefe do departamento do Brexit, tendo tomado posse em julho.

Sajid Javid

Ex-banqueiro e defensor do livre mercado, Javid ocupou vários cargos no gabinete e costuma se sair bem em votações de membros do partido. Imigrante paquistanês de segunda geração, ele já falou sobre um retrato da ex-premiê conservadora Margaret Thatcher que tem pendurado em seu escritório.

Javid votou pelo “ficar” na votação do Brexit de 2016, mas antes disso era considerado um eurocético.

Michael Gove

Gove, um dos ativistas pró-Brexit mais destacados durante o referendo, teve que recomeçar sua carreira no gabinete depois de perder para May a disputa para substituir David Cameron, que renunciou um dia depois de perder o referendo do Brexit em 2016.

Andrea Leadsom (eliminada na primeira votação)

Andrea, outra defensora do Brexit ainda atuante no gabinete de May, ficou entre as duas últimas postulantes ao lugar de Cameron dois anos atrás, mas se retirou da disputa, ao invés de forçar um segundo turno. Atualmente ela cuida dos negócios parlamentares para o governo. Ela deixou a disputa após a primeira votação da disputa conservadora

Esther Mcvey (eliminada na primeira votação) 

A ex-apresentadora de TV, que renunciou como ministra do Trabalho e Pensões em novembro em protesto à saída de May do acordo com a União Europeia, é pró-Brexit e disse que pretendia concorrer no contexto de liderança. “Eu disse claramente que se tivesse apoio suficiente dos meus colegas, sim eu iria (concorrer). Agora, as pessoas se manifestaram e eu tenho esse apoio, então, eu vou seguir em frente”, disse ao Talkradio. No entanto, ela também foi eliminada na primeira votação do partido

Rory Stewart

O ex-diplomata, que andou 10 mil quilômetros pelo Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal, foi promovido a secretário de Desenvolvimento Internacional neste mês. A promoção veio depois dele realizar várias posições de secretária ministerial. Educado somente no Eton College, Stewart foi o primeiro eleito para o parlamento em 2010. Ele apoiou a permanência na UE em 2016, se opõe ao “não acordo” e tem defendido o acordo de May com Bruxelas.  “Eu quero unir esse país… Eu aceito o Brexit, eu sou um apoiador, mas eu quero tentar permanecer eleitor também”, disse à BBC.

Mark Harper (eliminado na primeira votação)

O político de 49 anos de Swindon se formou em Oxford, tornou-se um contador oficial antes de se tornar membro do Parlamento, em 2005. Ele serviu como ministro júnior no Gabinete Conservador antes de se tornar um ministro da Imigração e, em seguida, o Ministro das Pessoas com Deficiência.

Ele não participou do governo Theresa May e se afirmou que queria "um novo pensamento" tanto para o partido quanto para a abordagem do Brexit.  Harper disse ao Daily Telegraph: "Nós vimos basicamente os mesmos rostos dizendo as mesmas coisas que eles vêm dizendo nos últimos três anos. Alguns deles tentaram se posicionar como rostos novos, mas temo que eles tenham se sentado ao redor da mesa do gabinete compartilhando a responsabilidade com o primeiro-ministro".

Durante a campanha do referendo da UE em 2016, ele apoiou permanecer na União Europeia. Agora, diz ser a favor de uma saída negociada. Ele foi eliminado na primeira votação do partido

Matt Hancock (desistiu da corrida no dia 14 de junho) 

Atual ministro da Saúde, o ex-economista do Banco da Inglaterra apoiou a permanência na UE em 2016. O primeiro eleito para o Parlamento em 2010, já ocupou vários cargos ministeriais./ REUTERS e AFP

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