REUTERS/Manaure Quintero
REUTERS/Manaure Quintero

Conheça os seis generais que mantêm Maduro no poder na Venezuela

Veja quem são os líderes da rede de 2 mil generais nomeados por Maduro e que seguem fieis ao chavismo mesmo com a pressão internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 06h00
Atualizado 02 de maio de 2019 | 15h22

As Forças Armadas da Venezuela tem sido a principal base de sustenção interna do chavismo, e tem permitido a Nicolás Maduro continuar no poder, como se vê no recente episódio de ajuda humanitária enviada do Brasil e da Colômbia para o país. Por isso o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, tem insistido em oferecer anistia aos militares que se virarem contra Maduro. Também por isso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste na oferta de anistia e ameaça com sanções severas aqueles que continuarem apoiando Maduro.

Todos são rápidos em garantir a Maduro que seu tempo acabou, mas, depois de meses em que 52 países declararam apoio a Guaidó e milhões de venezuelanos tomaram as ruas em repúdio ao regime chavista, o presidente venezuelano segue entrincheirado no poder, sob a proteção fiel das Forças Armadas Venezuelanas, especialmente do Alto Comando Militar.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, são seis oficiais militares do mais alto escalão do país, os comandantes de cada componente das Forças Armadas - Exército, Marinha, Aviação, Guarda Nacional, Comando Estratégico Operacional e o Ministro da Defesa, que ainda sustentam Maduro.

Eles lideram a rede de outros 2 mil generais que Maduro nomeou durante seus anos de mandato, entre os quais centenas que receberam o controle de setores econômicos, como atividade portuária, exploração de petróleo, mineração de ouro, e, mais recentemente, a distribuição de alimentos do país.

Segundo a ONG Transparência Venezuela, pelo menos 60 das 576 empresas gerenciadas pelo Estado são lideradas por militares, incluindo a Petroleos de Venezuela (PDVSA), responsável por mais de 95% da entrada de dólares do governo. A organização Controle de Cidadãos contabilizou, com nome e sobrenome, 500 oficiais militares que participam do Suprimento Soberano da Grande Missão, com o qual Maduro delegou desde a produção até a distribuição de alimentos no país.

Este são os seis altos comandantes das Forças Armadas da Venezuela que permitem que Maduro continue no poder - todos muito próximos de Hugo Chávez e de Cuba:

Vladimir Padrino López, Ministro da Defesa

Ele está há quatro anos no cargo, o mais longevo ministro da Defesa da história do país. Formado na carreira militar em 1984, sua ascensão dentro do chavismo ocorreu após sua recusa em ceder ao golpe de Estado contra Hugo Chávez em abril de 2002, como comandante do batalhão de infantaria Simón Bolívar, na capital venezuelana.

Sua lealdade canina foi paga com uma série de nomeações na época de Chávez. Chegou ao posto mais alto das Forças Armadas nas mãos de Maduro, e muitos consideram que ele é quem de fato mantém o poder.

Além de ter uma ascendência sobre os soldados, é considerado um respeitado interlocutor político. Em sua formação inicial, recebeu treinamento na Escola das Américas, nos EUA. Mas já em sua maturidade também foi treinado em Cuba, e foi muito próximo de Fidel Castro. É um emissário chave do regime venezuelano em suas relações com a Rússia.

Pedro Alberto Juliac Lartiguez, Comandante-geral da Força Aérea

Tem apenas oito meses no alto comando, embora tenha ocupado cargos de grande confiança como comandante geral da Aviação Militar - durante o governo Chávez - e seja responsável pela gestão de fundos e orçamento do Comando Geral da Aviação.

Ele viajou para a China em representação do regime Maduro para avaliação e compra de equipamento militar da Venezuela, e em seus discursos não perde a oportunidade de desdobrar sua defesa da "Revolução Bolivariana". "Hugo Chávez chegou para despertar os ideais de grandeza, independência, igualdade (...). Chávez trouxe para o presente o verdadeiro conceito de pátria", disse ele em novembro.

Richard Jesús López Vargas, comandante-geral da Guarda Nacional

Foi nomeado líder do grupo militar mais próximo da Presidência em janeiro de 2018, um dia depois da operação que pôs fim à vida do insurgente Oscar Pérez e de todos os membros de seu grupo. Até aquele momento, era vice-ministro de Serviços, Pessoal e Logística do Ministério da Defesa.

Vargas teve que informar seus superiores sobre a deserção em massa de guardas nacionais  - apenas no ano passado relatou que foram 4.309 soldados que simplesmente não compareceram em suas guarnições - assegurando que eles estão em um estado “difuso e coletivo”, sem nunca mencionar a causa de tal fuga. 

Remigio Ceballos Ichaso, Chefe do Comando Estratégico Operacional

Um dos membros mais abertamente ideológicos da "revolução bolivariana". Ele disse nos últimos dias que o que está acontecendo na Venezuela é uma “clara reedição da Doutrina Monroe (...) uma nova forma de intervenção”.

Com uma carreira militar sem choques ou exclusões, ele está há um ano e meio do comando que planeja e ordena todas as operações militares venezuelanas. Para muitos é considerado o capanga de Padrino, às vezes encarregado de planejar o orçamento para o Ministério da Defesa e é agora responsável pela implementação de defesa da Grande Missão de Abastecimento Soberano.

Jesús Rafael Suárez Chourio, Comandante do Exército

Homem de alta confiança do falecido Hugo Chávez. Ele era o chefe de sua guarda particular e participou do golpe liderado por ele em 4 de fevereiro de 1992. Em sua ascensão dentro da "Revolução Bolivariana", passou a ocupar a mesma posição que Chávez como comandante da 42ª brigada de paraquedistas do Estado de Aragua.

É considerado uma das peças mais leais a Maduro do Alto Comando. Ele tem mais de um ano e meio como comandante do Exército e afirma estar pronto para lutar contra "este rude intervencionismo imperialista".

Giuseppe Alessandrello Cimadevilla, Comandante-geral da Marinha

Está no Alto Comando há apenas oito meses, mas sempre teve responsabilidade pela gestão dos fundos e do orçamento do Comando Geral da Marinha, e serviu como comandante da região estratégica de Defesa Integral (Redi) das regiões de Aragua, Carabobo e Yaracuy.

Foi uma das duas nomeações recentes de Maduro para atualizar o Alto Comando e tentar debelar de vez supostas tentativas de rebelião sob a liderança do comandante anterior.

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