Ivan Alvarado / Reuters
Ivan Alvarado / Reuters

Quem são os negociadores de Maduro e Guaidó nas conversas em Oslo

Chavismo e opositores de Nicolás Maduro enviaram representantes para conversas com a chancelaria da Noruega, em mais uma tentativa de chegar a um acordo que ponha fim à crise política na Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 13h10

Integrantes da oposição e do chavismo se reuniram com a chancelaria da Noruega, em Oslo, para tentar chegar a um acordo que ponha fim à crise política na Venezuela, após o frustrado levante liderado pelo presidente da Assembleia Nacional, o líder opositor Juan Guaidó, e a decorrente onda de repressão do governo de Nicolás Maduro.

Nos últimos dias, representantes de Maduro viajaram a Oslo, entre eles o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez e o governador do estado de Miranda, Héctor Rodríguez, para encontrar delegados de Guaidó, como o ex-deputado Gerardo Blyde e Fernando Martínez Mottola, ex-ministro de Carlos Andrés Pérez, aos quais se juntou o parlamentar e vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González.

Três fontes relataram à agência de notícias Reuters como ocorreram as conversas. Segundo eles, os enviados exploraram possíveis caminhos para avançar em uma agenda de temas e uma metodologia de trabalho. As mesmas fontes asseguram que as negociações foram feitas separadamente com representantes do Ministério das Relações Exteriores da Noruega, e negam que tenha sido estabelecida uma mesa de diálogo.

A notícia das conversas levantou suspeitas em parte da oposição venezuelana. As reuniões surpreenderam alguns dirigentes opositores, como Julio Borges, ex-presidente da Assembleia Nacional, que hoje vive exilado em Bogotá. Pelo Twitter, ele assegurou que, tanto ele quanto seu partido, o Primeiro Justiça, souberam da iniciativa apenas por meio dos veículos de imprensa venezuelanos.

"Reiteramos a informação, que oficializou nosso partido e queremos esclarecer, de que soubemos desta iniciativa uma vez que já era pública", escreveu Borges na rede social. "Nós não avaliamos nenhum tipo de diálogo com a ditadura."

Sem negar os encontros, Guaidó tentou minimizá-los, com um tuíte em que ressaltava não serem as conversas a única iniciativa opositora em curso para o fim da crise. "Grupo de Contato, Canadá, Reino Unido, Noruega, Grupo de Lima, além de outras iniciativas, nos apoiam para chegar a uma solução da crise. Para os venezuelanos, a rota é clara, e nós a mantemos: fim da usurpação (do poder), governo de transição e eleições livres", escreveu o autoproclamado presidente interino da Venezuela.

Conheça os negociadores de Maduro e de Guaidó enviados a Oslo:

Jorge Rodríguez Gómez

Gómez é um dos principais integrantes do chavismo. Ministro de Comunicação e Informação da Venezuela, foi prefeito de Caracas de 2008 a 2017. Foi vice-presidente da Venezuela e um dos braços-direito de Hugo Chávez. Sua irmã, Delcy Rodríguez, é atualmente presidente da Assembléia Nacional Constituinte (ANC).

Ele liderou as conversas foram realizadas no ano passado na República Dominicana com a oposição, e que não renderam frutos. A presença dele em Oslo é vista como indicativo de que o chavismo pode, de fato, estar disposto a negociar.

Héctor Rodríguez

Com uma carreira meteórica, Héctor Rodriguez passou de líder estundantil a governador de um dos mais importantes estados da Venezuela em menos de 10 anos. É visto como um dos principais nomes para a “renovação” do chavismo. Começou sua vida política como líder estudantil na Universidade Central da Venezuela.

Foi tirado da Universidade Central de Venezuela pelas mãos de Chávez, que o nomeou ministro do do Poder Popular em 2008. Se tornou o mais jovem depitado do PSUV e se elegeu deputado constituinte em 2017. É um dos mais fieis aliados de Maduro.

Gerardo Blyde

Um dos principais aliados de Juan Guaidó, Blyde foi prefeito do município Baruta, e derrotou o candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela, Winston Vallenilla. Secretario-Geral do partido Primero Justicia, foi professor universitário nas cátedras de Direito Constitucional da Universidade José María Vargas e professor de Direito Processual Constitucional na Universidade de Santa María.

Eleito deputado pela Assembleia Nacional, ele é um dos principais formuladores de estratégias de Guaidó. Durante uma entrevista feita em 3 de maio de 2017 pela Globovisión, ele disse que a Assembléia Constituinte pretende criar uma nova Constituição. Ele também afirmou que “todo o protesto pacífico e resistência civil que é feito está nos artigos 333 e 350 da Constituição. Quando aqueles que exercem o poder atropelam a ordem legal, o povo, soberano, tem o direito de se rebelar contra a tirania ".

Stalin González

Militante do Un Nuevo Tiempo, um partido político social-democrata que assumiu funções na liderança da Assembléia Nacional da Venezuela, após um acordo que permite que os partidos da oposição assumam responsabilidades rotativamente.

Foi um dos principais artífices da parceria entre o Voluntad Popular, partido de Guaidó e Leopoldo López. Ao assumir o cargo de presidente interino, Guaidó nomeou González vice-presidente da Câmara, com funções específicas no processo de transição.

Fernando Martínez Mottola

Escritor, Cientista Político e engenheiro, foi presidente da Companhia de Telefones da Venezuela, Ministro do Transporte e das Comunicações e assessor do Banco Mundial. Crítico do chavismo desde quando Hugo Chávez era vivo, aderiu ao movimento de Guaidó e se tornou um dos formuladores das políticas do opositor./ AFP, EFE e AP

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