Delil Souleiman / AFP
Delil Souleiman / AFP

Quem são os presos do Estado Islâmico no nordeste da Síria?

Segundo a administração curda, existem cerca de 12 mil suspeitos de serem do EI sendo vigiados por suas forças de segurança

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 08h00

BEIRUTE - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, nesta quarta-feira, 16, sobre o “risco de dispersão” de prisioneiros jihadistas radicalizados em meio ao caos causado pela invasão turca no nordeste da Síria.

A administração curda que controla os suspeitos de serem membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) nunca teve um futuro tão incerto.

Mas, afinal, o que se sabe sobre esses prisioneiros, cujo destino constituiu um verdadeiro impasse nos níveis diplomáticos e de segurança? Entenda.

Para Entender

Quem são os curdos e por que a Turquia quer atacá-los?

Turcos enxergam 'ameaça terrorista' em grupo na fronteira com a Síria

Quantos são?

Segundo a administração curda, existem cerca de 12 mil suspeitos de serem combatentes do EI vigiados por suas forças de segurança no nordeste da Síria.

Pelo menos 2.500 deles são estrangeiros de mais de 50 nacionalidades diferentes. Acredita-se que o maior contingente venha da Tunísia

Autoridades de Paris afirmam que em torno de 60 a 70 cidadãos franceses estão entre os prisioneiros. O restante deles vem da Síria e do Iraque.

Onde estão detidos?

Os combatentes, capturados principalmente no âmbito das operações das forças curdas, apoiados pela coalizão internacional contra os jihadistas liderada pelos Estados Unidos, estão em, pelo menos, sete instalações diferentes.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por milícias curdas, não revelaram os locais exatos de detenção, mas alguns são conhecidos, como Roj, Dashisha, Jerkin, Navkur e Derik.

Os níveis de segurança em algumas destas instalações são considerados insuficientes: são prédios apenas fortificados, afirmou uma autoridade de alto escalão.

Há risco de fugas?

Abandonada por Washington, as FDS advertiram por meses seus aliados da coalizão antijihadistas que, se tivessem que se mobilizar contra uma ameaça turca, monitorar os prisioneiros estrangeiros deixaria de ser prioridade.

Com a retirada das forças americanas da região, a fuga dos jihadistas é um risco real. As autoridades curdas locais informaram a fuga de cinco suspeitos de Navkur na semana passada.

Por outro lado, Washington afirma que até agora não encontrou “grandes evasões”. A França também diz que, no momento, a ofensiva turca não ameaça os centros de detenção.

Porém, de acordo com as forças curdas, ao menos 500 prisioneiros fugiram das prisões desde o início dos ataques turcos.

É possível transferi-los?

A invasão turca causou certa urgência em encontrar uma solução futura para esses prisioneiros, os quais os curdos alertam que não podem controlar e muito menos julgar.

Os governos europeus, como o da França, relutam em repatriá-los, por falta de uma estrutura legal clara com relação a eles e por medo de uma reação pública negativa. E, é claro, por causa do risco latente de possíveis ataques.

Alguns governos tentaram transferir seus cidadãos para o vizinho Iraque, uma possibilidade que o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, discutirá com Bagdá.

Antecipando o risco de fugas, os Estados Unidos “controlaram dois membros do alto escalão do EI” nas primeiras horas da ofensiva turca e os levaram “para fora da Síria”, provavelmente para o Iraque.

Onde estão as famílias dos presos?

Os combatentes detidos têm milhares de familiares, especialmente mulheres e filhos, detidos em outras instalações, como o campo de Al Hol, onde cerca de 70 mil pessoas – em sua maioria sírios e iraquianos, mas também franceses, belgas e alemães – se encontram aglomeradas.

Outra instalação para familiares de prisioneiros do EI, no meio do atual campo de batalha, é a de Ain Issa, local que aproximadamente 800 pessoas escaparam no domingo, segundo as autoridades curdas.

Alguns deles teriam retornado ao campo, mas outros passaram para o lado turco da linha de frente e provavelmente se juntaram às células do EI que operam na região.

Na última terça-feira, uma tentativa de fuga em Al Hol teria sido frustrada, segundo um oficial das FDS.

Qual a chance de o EI ressurgir na região?

Independente de evitar ou não as fugas em larga escala, a realocação de combatentes das FDS fora das instalações de detenção para se defender contra a ofensiva turca cria um vácuo de segurança, que o EI poderia aproveitar em toda a região.

As células do EI adormecidas, que nunca deixaram de estar ativas depois que o grupo jihadista perdeu a última fortaleza de seu “califado”, em março, aumentaram seus ataques nos últimos meses. O mais recente e mortal foi realizado com um carro-bomba, no dia 11 de outubro em Qamchili, causando seis mortes. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.