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Quem vai ganhar nos Estados Unidos?

Se Hillary não abrir logo uma larga dianteira com seu discurso de união contra Trump, a eleição promete emoção até o último voto

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2016 | 05h00

A festa na indicação de Hillary Clinton como primeira candidata à presidência na história dos Estados Unidos não deve iludir os democratas. A disputa será dura. Na média das pesquisas nacionais, ela perdeu a liderança de quase 11 pontos porcentuais que tinha em abril e ficou atrás de Donald Trump. É esperado que volte a subir, como resultado da Convenção Nacional Democrata na Filadélfia. Mesmo assim, se Hillary não abrir logo uma larga dianteira com seu discurso de união contra Trump, a eleição promete emoção até o último voto. As dificuldades surgem na análise do mapa eleitoral. Para vencer, Hillary precisa de 270 votos no Colégio Eleitoral. Hoje, tem algo como 217 praticamente garantidos. Mas perdeu a liderança na Flórida, Estado crítico para Trump. Ainda enfrenta resistência em Estados que concentram alta proporção de eleitores brancos sem nível universitário, propensos a votar em Trump, como Pensilvânia, Ohio, Iowa, Nevada ou Virgínia – terra de seu vice, Tim Kaine. Preferida por quase 70% nas casas de apostas, Hillary aparece na frente de Trump na maioria dos modelos estatísticos. O problema, como sempre, é a distância entre os modelos e a realidade.

Hillary 1 x 0 Trump

Mesmo defendendo o direito ao aborto, Hillary tem atraído mais eleitores católicos. Numa pesquisa do instituto Pew, ela lidera por 20 pontos de vantagem entre aqueles que vão à missa toda semana. Seu vice, ex-missionário jesuíta em Honduras, é contra o aborto e a pena de morte, mas acatou 11 execuções quando governador da Virgínia. 

Hillary 1 x 1 Trump

Na pesquisa Pew, Trump mantém a mesma lliderança avassaladora que Mitt Romney obteve em 2012 entre os evangélicos devotos: 60 pontos.

Hillary 2 x 1 Trump

Três empresas independentes de segurança digital – CrowdStrike, Secureworks e Fidelis – dão como certo o envolvimento de russos na invasão dos computadores do Comitê Nacional Democrata, que resultou no vazamento de 20 mil e-mails, comprovando o favorecimento a Hillary nas primárias. Não há prova de conexão com Trump ou com o presidente russo Vladimir Putin. Mas a expressão “hackers russos” já bastará para Hillary explorar na campanha.

Hillary 2 x 2 Trump

Antes da revelação dos e-mails, um terço daqueles que votaram em Bernie Sanders já preferiam outros candidatos que não Hillary. Uma análise da Catalyst revela que apenas 41% deles votam sempre nos democratas. Algo como 25% votam às vezes, 35% são republicanos ou variam o voto. Há dois desafios para a campanha de Hillary: convencer a turma de Sanders a ir votar – e a votar nela.

Hillary 3 x 2 Trump

O repórter Jose DelReal, do jornal Washington Post, foi impedido de cobrir um comício do vice de Trump, Mike Pence (foto), em Milwaukee. Graças a sua cobertura crítica, o Post foi banido de eventos com Trump. Ele ameaçou até retaliar contra o dono do jornal, Jeff Bezos. Não pega bem intimidar a imprensa na terra da Primeira Emenda.

Hillary 3 x 3 Trump

Antes do escândalo dos e-mails em seus servidores privados, Hillary dizia que, nos hotéis, lia relatórios sensíveis à luz de lanterna, sob cobertores. Mesmo em ambientes amistosos, afirmava ter cuidado com “onde e como lia material secreto e usava tecnologia”. O FBI livrou a cara dela, mas disse que ela corria risco de ser grampeada por países inimigos. 

E se empatar?

Se Trump ganhar na Flórida (29 votos), New Hampshire (4), Iowa (6), Ohio (18) e Nevada (6) e perder para Hillary na Pensilvânia (20) e na Virgínia (13), a eleição empataria em 269 votos no Colégio Eleitoral. Pela Constituição, a decisão caberia à Câmara, dominada pelos republicanos – e Trump venceria.

 

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