Reprodução/ Instagram/ @william_amos_pontiac
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Quem vazou uma foto nua de um parlamentar canadense? Seus colegas querem saber

Depois de uma foto nua de William Amos, deputado do Quebec, circular na mídia social, alguns parlamentares pediram uma investigação do que descreveram como 'ato potencialmente criminoso'

Michael Levenson, The New York Times

19 de abril de 2021 | 10h00

Inicialmente parecia ser apenas um momento constrangedor no Zoom, algo que qualquer pessoa que trabalha remotamente tem pavor.

William Amos, deputado canadense, disse que acabara de chegar de uma corrida na quarta-feira e estava se vestindo para a sessão remota com seus colegas parlamentares quando percebeu que a câmera do seu computador estava ligada.

Até aí, já tinha dado tempo para outros participantes vê-lo nu em seu quarto, entre as bandeiras do Canadá e de Quebec.

A sessão foi transmitida publicamente, mas a imagem de Amos não tinha sido mostrada porque ele não estava falando. Ainda assim, Amos pode ser visto por outras pessoas que assistiam a sessão em um feed particular do Zoom.

Na quinta-feira os deputados se manifestaram, furiosos com o fato de alguém ter tirado a foto de Amos aparecendo nu na tela do computador. Alguém postou a imagem na mídia social, provocando as inevitáveis piadas quando ela circulou pelo Canadá e mais além.

"Quando demandamos mais transparência, devíamos ter sido mais específicos", escreveu Garnett Genuir, membro conservador do Parlamento, no Twitter, junto com a foto de Amos, 46 anos, um liberal de Quebec.

Na quinta-feira, Pablo Rodríguez, líder do governo na Câmara dos Comuns, pediu ao presidente da Casa, Anthony Rota, para iniciar imediatamente uma investigação para determinar quem tirou a foto, qualificando as ações dessa pessoa de "maldosas e de enorme impacto na vida de um dos nossos colegas".

"Tirar foto de uma pessoa nua que está trocando de roupa e compartilhar essa imagem sem o consentimento dela é algo bem criminoso", afirmou Rodríguez. "A pessoa que tirou a foto pensou nas ramificações de suas ações? Pensou na família, nos filhos e amigos do deputado e no fato de que a Internet é para sempre?".

Mark Holland, líder do governo na Câmara, também exigiu uma investigação, afirmando que a difusão da foto foi "uma terrível violação" e um "ato potencialmente criminoso".

"Precisamos saber quem foi o responsável pelo vazamento da imagem tirada de uma transmissão de vídeo sem o consentimento da pessoa envolvida", afirmou ele num comunicado. "Amos cometeu um erro não deliberado; sua câmera estava ligada quando ele se vestia. Isto poderia ter ocorrido com qualquer um de nós", disse ele.

Na quinta-feira, Amos disse ser "lamentável que alguém, sem meu consentimento, compartilhou uma foto quando eu estava trocando de roupa".

"Esta foto foi tirada durante uma videoconferência à qual somente os parlamentares e um pequeno número de funcionários tinham acesso", disse ele. "Ninguém merece ser tão prejudicado. Espero que o presidente da Câmara dos Comuns determine uma investigação completa a respeito".

A lei canadense proíbe a publicação, distribuição ou disponibilização de "imagens íntimas de uma pessoa sem que ela tenha dado o seu consentimento para isso".

A lei foi aprovada em 2014 para combater a chamada "pornografia de vingança", disse Andrea Slane, professora de estudos legais da Ontario Tech University. Para ela, a foto de Amos que circulou na mídia social não viola a lei, "porque seus órgãos genitais estavam ocultos".

"Se houvesse uma imagem mais reveladora na foto, isso colocaria as pessoas em uma situação mais difícil porque, claramente, ele não queria que a foto fosse tirada. Claro que ele cometeu um erro. Assim não se trata de voyeurismo no sentido clássico. Mas foi algo que ele não tinha nenhuma intenção de consentir que fosse distribuído".

Amos, por seu lado, se desculpou no Twitter.

"Cometi um erro realmente lamentável e obviamente estou consternado. Minha câmera acidentalmente estava ligada enquanto eu trocava de roupa depois de fazer uma corrida. Peço desculpas sinceras a meus colegas na Câmara. Foi um erro sem maldade que não se repetirá".

Claude DeBellefeuille, colega de Amos do Quebec, respondeu ironicamente, lembrando gentilmente os membros masculinos do Parlamento que quando participam de uma sessão legislativa, mesmo que seja por videoconferência, "é apropriado que os deputados se vistam com terno e gravata".

"Vimos que o deputado está em ótima forma", ironizou ela, falando em francês, "mas acho que o colega deveria ser lembrado do que é apropriado e ter o controle da sua câmera". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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