Noor Khamis/Reuters
Noor Khamis/Reuters

Quênia afirma que libertou todos os reféns e retomou o shopping

Segundo autoridades quenianas, ao menos três militantes do Al-Shabab foram mortos

O Estado de S. Paulo,

23 Setembro 2013 | 18h17

(Atualizada às 23h35) O governo do Quênia anunciou no início da noite desta segunda-feira, 23, que todos os reféns que eram mantidos por militantes do grupo radical somali Al-Shabab em um shopping de luxo em Nairóbi foram libertados e o shopping foi retomado. "Nossas forças (de segurança) estão checando andar por andar do shopping procurando alguém que tenha ficado para trás. Nós acreditamos que todos foram libertados", afirmou o ministro do Interior, Joseph Ole Lenku, em seu twitter. A chanceler do Quênia, Amina Mohamed, confirmou que há "dois ou três americanos e um britânico" de origem árabe entre os terroristas. "Isso apenas mostra a natureza global da ameaça que enfrentamos", afirmou.  

Pouco antes, as forças de segurança haviam anunciado a morte de ao menos três dos militantes do Al-Shabab suspeitos do atentado que matou ao menos 62 pessoas desde o fim de semana. A Cruz Vermelha queniana revisou de 69 para 62 o número de mortos. Ao menos 63 pessoas continuam desaparecidas. Dez suspeitos de envolvimento com o atentado foram presos pela polícia queniana.

Pela manhã, quatro grandes explosões foram ouvidas do lado de fora do shopping. Pouco depois das detonações, dezenas de soldados, alguns deles com armas pesadas, foram vistos na rua que dá acesso ao shopping. Um tanque foi colocado no local. Segundo a polícia, os militantes colocaram fogo em uma loja para criar uma tática de dispersão e tentar fugir.

"Pedimos aos quenianos para manter a calma e informar sobre suspeitos à autoridade policial mais próxima", escreveu a polícia queniana em sua conta no Twitter. Entre 10 e 15 militantes estavam no prédio.

O queniano Kelly Amit é irmão de um dos desaparecidos. Ele faz vigília desde a noite de domingo a espera de notícias. "Na última vez que ele me ligou, disse que estava no shopping. Desde então o celular está mudo", contou. "Espero que esteja bem e tenha se escondido em algum lugar."

Ataque. O jornal queniano The Standar obteve imagens de câmeras de segurança do shopping que mostram os terroristas entrando no prédio. Todos estavam armados com granadas, fuzis e pistolas e chegaram por duas portas diferentes.

Os que invadiram o centro de compras pela entrada principal lançaram granadas ao chão e fuzilaram clientes de um café. Os que chegaram pelo estacionamento mataram um guarda antes de chegar aos andares superiores, onde uma rádio organizara uma festa.

Segundo testemunhas do ataque citadas pelo jornal, os militantes obrigaram os clientes do shopping a citar uma oração islâmica. Quem não conseguia fazê-lo, era executado. As imagens mostram ainda os terroristas atirando contra banheiros depois de descobrir que havia pessoas escondidas neles. Depois disso, os atiradores se separaram. Parte ocupou o cinema e outra se dirigiu ao supermercado.

Por meio do Twitter, o Al-Shabab disse ter autorizado os radicais a executar os reféns. "Autorizamos os mujahedin dentro do edifício a retaliar os prisioneiros", afirmou o grupo.

Foi o pior ataque terrorista ao Quênia desde que a Al-Qaeda - grupo ao qual o Al-Shabab é filiado - explodiu a embaixada americana em Nairóbi, em 1998, quando 213 pessoas morreram. Ao reivindicar a autoria do ataque ao shopping, o grupo somali o atribuiu à presença militar queniana na Somália - Forças da União Africana combatem os militantes islâmicos que se insurgiram contra o governo central em Mogadiscio.

Entre as vítimas mortas no ataque ao centro de compras, frequentado pela elite queniana e estrangeiros, estão australianos, peruanos, ganeses, holandeses, franceses, indianos, canadenses, suíços, britânicos e chineses. Cinco cidadãos americanos ficaram feridos.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, cujo pai era queniano, condenou o atentado e ofereceu ajuda às autoridades do país. "Quero expressar minhas condolências pessoais ao presidente Uhuru Kenyatta, que perdeu parentes ao ataque, e a todos os quenianos. Somos todos solidários com eles", disse Obama. "Oferecemos todo o apoio necessário." / AP, EFE e NYT

Vídeo mostra o que seria o momento do ataque:

Mais conteúdo sobre:
Quêniaatentado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.