Quênia anuncia ministério de governo de coalizão

Acordo de divisão de poder entre governo e oposição encerra semanas de impasse; opositor será premiê

BBC Brasil, BBC

13 Abril 2008 | 12h45

O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, e o líder da oposição, Raila Odinga, anunciaram neste domingo, 13, os nomes que vão compor o gabinete, encerrando um impasse que se arrastou por semanas. Odinga vai assumir o recém-criado cargo de primeiro-ministro do governo compartilhado, que vai contar com 40 ministros.  Em fevereiro, os dois líderes chegaram a fechar um acordo para a divisão do poder no Quênia, depois da morte de mais de mil quenianos em episódios de violência detonados por uma disputa sobre os resultados das eleições. As pastas mais importantes, no entanto, permanecem sob o controle do presidente Kibaki.  Em discurso transmitido pela televisão queniana, Kibaki disse que o desafio adiante é "deixar a política de lado e trabalhar"."Vamos construir um novo Quênia, onde a Justiça seja o nosso escudo e a nosso defensor, e onde paz, liberdade e a fartura sejam encontrados em todo o nosso país", disse.  Foram anunciados os nomes de dois vice-primeiro-ministros, Uhuru Kenyatta, do partido de Kibaki, da Unidade Nacional, e Musalia Mudavadi, do Movimento Democrático Laranja, de Odinga. Kenyatta é o filho do primeiro presidente queniano, Jomo Kenyatta. A crise no Quênia começou após as eleições de dezembro, nas quais o presidente e o líder da oposição reivindicaram vitória. A disputa dos resultados provocou confrontos entre forças oficiais e simpatizantes dos dois lados. Cerca de 1,5 mil pessoas morreram e outras 600 mil deixaram as suas casas para fugir da violência.  Kibaki e Odinga chegaram a concordar com a formação de um governo de coalizão em fevereiro, mas desde então divergiam sobre a composição do gabinete. O opositor alegava que o presidente e seus aliados se recusavam a ceder poder ou abrir mão de qualquer uma das posições mais importantes do gabinete.  O acordo foi alcançado após horas de discussão a portas fechadas em um hotel a 100 km ao norte da capital do Quênia, Nairóbi. Os dois líderes vinham sofrendo intensa pressão internacional para se entenderam depois do acordo mediado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em fevereiro.

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