Quênia diz que tropas estrangeiras deveriam derrubar Mugabe

Epidemia de cólera e hiperinflação no Zimbábue intensificam pressão por mudança de governo do país

Agências internacionais,

07 de dezembro de 2008 | 13h33

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, afirmou neste domingo, 7, que as tropas estrangeiras devem se preparar para intervir no Zimbábue para impedir que a crise humanitária no país aumente e defendeu a abertura de um inquérito de crimes contra a humanidade para o presidente zimbabuano, Robert Mugabe. Odinga pediu ainda a convocação de uma reunião de emergência da União Africana para autorizar o envio de soldados ao país.    "Se não houver tropas disponíveis, então a União Africana deve permitir que a ONU mande suas forças para o Zimbábue com efeito imediato, para tomar o controle do país e garantir assistência humanitária urgente para as pessoas que estão morrendo de cólera", afirmou. Com um saldo de 12.700 contaminados, deixando mais de 570 mortos, o surto de cólera no Zimbábue é visto como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções básicas. O impasse político persiste, a inflação nacional deve chegar a 1 trilhão por cento ao ano, funcionários públicos estão com salários atrasados e a oferta de alimentos vem minguando.   Veja também: Zimbábue, o suicídio de um país em cólera Reino Unido pede que mundo dê um 'basta' em Mugabe Rice diz que já passou da hora de Mugabe sair do poder Desmond Tutu pede que África use a força para tirar Mugabe Grã-Bretanha planeja invadir Zimbábue, diz porta-voz de Mugabe   Odinga afirmou que Mugabe não merece menos do que investigações na pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. A corte é o primeiro tribunal permanente para crimes de guerra e investiga o Zimbábue. O regime de Mugabe, porém, não reconhece a instituição. O premiê africano criticou ainda os líderes do continente africano por agirem com lentidão para criticar a situação no Zimbábue, afirmando que eles deveriam ter vergonha de tratá-lo desta forma porque ele apoiou a libertação do colonialismo europeu.   "Nos recusamos a aceitar a idéia de que os países africanos deveriam julgá-lo com padrões inferiores em relação aos outros países do mundo", afirmou. "Participação na libertação não é desculpa para ninguém dominar um país". O premiê queniano se recusou a comentar se o Quênia está pronto para mandar tropas. Ele é o último de uma série de líderes mundiais, incluindo a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o Nobel da Paz e arcebispo sul-africano, Desmond Tutu, a pedir pela saída de Mugabe.

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