Quênia prevê novos confrontos após morte de 612 pessoas

Os grupos em disputa no Quênia prevêemna segunda-feira novos confrontos no Parlamento e nas ruas,apesar de uma nova iniciativa internacional para mediar a crisepós-eleitoral que já matou pelo menos 612 pessoas no país. Mas a prioridade de muitos no país é o reinício do anoletivo, adiado em uma semana devido às turbulências iniciadasno mês passado, depois da reeleição do presidente Mwai Kibaki,contestada pela oposição. "A vida tem de continuar", disse Esther Muhito, preparandoseus filhos para as aulas em Molo, região no vale do Rift ondemuita gente morreu por causa dos conflitos étnico-partidários.Em alguns campos de refugiados, voluntários improvisam salas deaula. Muitos alunos, porém, continuam vagando pela região,temendo os resultados dos protestos nacionais de quarta asexta-feira, convocados pela oposição. A polícia proibiu asmanifestações. A crise abala as credenciais democráticas e o avançoeconômico do país. Afeta também o abastecimento de países semacesso ao mar no centro e leste da África, e preocupa osdoadores ocidentais. Rachel Arungah, presidente do Comitê de ServiçosHumanitários do governo, disse à Reuters que o número oficialde mortos nos confrontos é de 612 na segunda-feira. A imprensalocal diz que na verdade houve 693 vítimas fatais. A maior parte das mortes ocorreu em confrontos entrecomunidades étnicas rivais, ou entre policiais e manifestantes.Houve casos também de saques e linchamentos. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan deve chegar naterça ou quarta-feira ao Quênia como chefe de uma delegação de"africanos iminentes" que pretende mediar um diálogo entreKibaki e o candidato derrotado à Presidência Raila Odinga.Ambos não se encontraram depois da votação de 27 de dezembro. O presidente da União Africana, John Kufuor, a diplomatanorte-americana Jendayi Frazer e outras personalidadesinternacionais tentaram sem sucesso na semana passada reunirambas as partes. Kibaki, 76 anos, se diz preparado para conversar comOdinga, 63 anos, sobre uma possível divisão de poderes. Mas seuex-aliado, rompido com o governo desde 2005, diz que só aceitanegociar sob mediação internacional. Ele também exige arepetição da eleição, que afirma ter sido fraudada pelogoverno. (Reportagem adicional de Bryson Hull, Wangui Kanina, TimCocks e Madeleine Chambers)

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