Gideon Maundu/AP
Gideon Maundu/AP

Quênia reabre escolas fechadas desde março por pandemia do coronavírus

Governo fechou as instituições depois que país relatou seu primeiro caso de covid-19, em março; nação é a última da África Oriental a reabrir totalmente suas escolas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 17h00

NAIRÓBI - Milhões de estudantes quenianos voltaram às aulas nesta segunda-feira, 4, pela primeira vez desde 15 de março de 2020, quando o governo fechou as instituições depois que o Quênia relatou seu primeiro caso de covid-19. O país é o último da África Oriental a reabrir totalmente suas escolas. 

Uma pequena parte dos estudantes voltou às aulas em outubro para se preparar para os exames adiados em meio à pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a agência infantil da ONU, Unicef, afirmam que fechamentos prolongados de escolas devido ao coronavírus apresentam muitos riscos para crianças em países pobres.Taxas mais altas de gravidez na adolescência, nutrição deficiente e abandono escolar permanente estão entre os perigos. 

A maioria dos meninos e meninas usava máscaras enquanto ficava do lado de fora dos portões da Escola Primária Olímpica, esperando sua vez enquanto os funcionários da escola mediam a temperatura e distribuíam desinfetante para as mãos. O perigo real, entretanto, espreitava lá dentro. Pais estavam aliviados e, ao mesmo tempo, preocupados. 

"Como mãe, estou feliz de que os meninos voltaram à escola", disse à agência France Presse Hildah Musimbi, em Nairóbi. Mas "no momento, estamos bastante preocupados porque não sabemos se outras crianças na escola têm o vírus, ou se os professores têm, ou a equipe da escola", acrescentou. 

“O governo disse que nossos filhos devem ir (para a escola), mas eles não estão seguros pelo que vejo”, disse o pai de aluno Maurice Oduor, questionando como o distanciamento social pode ser praticado com cerca de 100 alunos espremidos em cada sala. “Não há salas de aula construídas e nenhuma carteira adicionada aqui”, acrescentou, em entrevista à agência Reuters .

Quando as crianças se sentaram nas salas de aula, ficaram ombro a ombro, três em uma carteira, como antes da pandemia. Administradores e professores da escola disseram à Reuters que não estavam autorizados a falar com a imprensa.

O governo tentou garantir a segurança de alunos e professores distribuindo mais de meio milhão de carteiras para escolas e suprimentos como detergente, disse o ministro da Educação, George Magoha, no domingo.

Os casos de covid-19 do Quênia começaram a aumentar em outubro e atingiram o pico em novembro, com uma taxa relativamente baixa de 972 casos por dia, de acordo com um rastreador da Reuters. O país registrou um total de 1.685 mortes e 96.802 casos, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no domingo. O teste é limitado.

Outra mãe de aluno, Maureen Adhiambo, disse que estava grata por seus filhos terem evitado o vírus e poderem voltar para a escola nesta segunda-feira. O filho adolescente de seu vizinho recentemente desmaiou com problemas respiratórios e morreu, no que a família acredita ser um caso não confirmado de covid-19. "Nossa escola está superlotada, essa é minha maior preocupação em trazer meus filhos de volta", disse a mãe./ AFP e Reuters 

 

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