Quênia tem protestos, após pedido para anular eleição

A polícia do Quênia atirou bombas de gás lacrimogêneo contra uma multidão que apoiava o primeiro-ministro, Raila Odinga, enquanto ele entrava com uma petição no Supremo Tribunal do país para anulação da eleição presidencial. A alegação é de que as eleições não foram livres, nem justas.

AE, Agência Estado

16 de março de 2013 | 15h34

O pedido do primeiro-ministro ocorre uma semana após a comissão eleitoral do Quênia ter declarado Uhuru Kenyatta, filho do fundador do Quênia, vencedor do pleito realizado no dia 4 de março. Kenyatta venceu por margem apertada, com 50,07% dos votos, quebrando a marca de 50% por apenas 8 mil votos, de um total de 12,3 milhões de eleitores - caso Kenyatta tivesse menos da metade dos votos, haveria segundo turno.

A eleição no Quênia tem sido em grande parte pacífica, ao contrário da disputa de 2007, que provocou dois meses de violência que mataram mais de mil pessoas. Mas no centro de Nairóbi, o cheiro de gás lacrimogêneo se dispersava neste sábado depois que a polícia atirou bombas de gás em apoiadores de Odinga, que se aglomeravam, apesar das advertências da polícia.

Um repórter da Associated Press no local disse que os manifestantes não apresentavam comportamento violento quando a polícia arremessou o gás lacrimogêneo contra partidários que se reuniram em frente ao edifício do Supremo Tribunal.

"É direito de todos realizar manifestações, mas a polícia vai interromper protestos que possam comprometer a segurança", disse o porta-voz da polícia, Masoud Mwinyi. "A polícia está tomando medidas de precaução para advertir as pessoas a se dispersar, mas se não o fizerem, vamos utilizar o mínimo de força. A presença de manifestantes pode criar uma tensão desnecessária. Já estamos vendo bolsões de instabilidade."

A petição apresentada neste sábado por Odinga pede ao tribunal para anular o anúncio feito pela comissão eleitoral, que em 9 de março deu a presidência a Kenyatta e a seu companheiro de chapa, William Ruto, a vice-presidência. Odinga está sendo representado por um advogado dos Estados Unidos, que anteriormente representou o ex-presidente George W. Bush, disse Eliud Owalo, gerente de campanha de Odinga.

A petição Odinga diz que o recenseamento eleitoral foi alterado e "misteriosamente cresceu durante a noite por uma" grande proporção na véspera da eleição. Os votos excederam o número de eleitores registrados em vários locais, segundo ele.

Odinga ficou em segundo lugar, em disputa com oito candidatos, com 43% dos votos. Ele tinha a esperança de manter Kenyatta sob a marca de 50% e forçar um segundo turno entre os dois. Odinga pediu calma a seus partidários durante a semana, em meio às notícias de que sua equipe tem reivindicado que a votação foi fraudada. Ele disse que vai respeitar a decisão do Supremo Tribunal, que tem duas semanas para decidir sobre a petição.

Se o tribunal mantiver a vitória de Kenyatta, ele se tornará o segundo presidente da África a enfrentar acusações no Tribunal Penal Internacional. Ele e Ruto enfrentam acusações de terem ajudado a orquestrar a onda de violência pós-eleitoral em 2007. Ambos negam as acusações. O julgamento de Ruto começa no final de maio; o de Kenyatta, em julho.

Também no sábado, um grupo da sociedade civil entrou com uma petição no Supremo Tribunal para que o resultado da eleição seja anulada, alegando que o processo foi irremediavelmente falho. O grupo, que trabalha sob o nome Quênia para Verdade, Paz e Justiça, disse que as ações da comissão eleitoral ameaçam futuras eleições.

O grupo disse que a comissão ainda não ofereceu uma explicação crível para todas as falhas técnicas da eleição. Um sistema de identificação eletrônica do eleitor criado para evitar fraudes falhou em todo o país por falta de eletricidade, em alguns casos, e superaquecimento dos computadores, em outros.

Além disso, após o fechamento das urnas, os resultados deveriam ter sido enviados eletronicamente para Nairóbi, onde as autoridades examinariam os votos, a fim de maximizar a transparência, após as acusações de problemas em 2007. Mas esse sistema também falhou. As autoridades eleitorais indicaram que os servidores ficaram sobrecarregados, mas ainda têm de explicar totalmente o problema.

Os EUA, Reino Unido e Europa estão observando de perto os resultados no Quênia, o eixo central da economia da África Oriental. Alguns países africanos já parabenizaram Kenyatta pela vitória, mas muitos países ocidentais, incluindo os EUA e o Reino Unido, deram declarações parabenizando os quenianos, mas omitindo qualquer menção à Kenyatta. As informações são da Associated Press.

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