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Para ter sucesso, é preciso preservar combinação de boa educação, incentivo do governo e imigração qualificada

É COLUNISTA, ESCRITOR, GANHADOR DO PRÊMIO PULITZER, THOMAS, FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES, É COLUNISTA, ESCRITOR, GANHADOR DO PRÊMIO PULITZER, THOMAS, FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2012 | 03h09

Passei a semana passada viajando por dois dos maiores núcleos de inovação dos EUA - o Vale do Silício e Seattle - e a viagem deixou-me entusiasmado e também apavorado. O entusiasmo surgiu não com a quantidade surpreendente de inovações surgindo do nada, mas com o fato de ver que novos recursos estão surgindo e tornando mais fácil e barato do que nunca para um indivíduo publicar seu próprio livro, abrir sua própria companhia e ir em busca do seu próprio sonho. Jamais as pessoas estiveram tão capacitadas e esta é uma tendência que está apenas no seu início.

Graças à computação em nuvem para as massas, qualquer um, em qualquer lugar, e mediante uma tarifa mínima por hora, poderá locar recursos de armazenamento e computação na "nuvem" da Amazon para testar qualquer algoritmo, abrir uma empresa ou publicar um livro.

As empresas recém-abertas podem mesmo enviar todo seu inventário para a Amazon, que cuidará da execução e entrega dos pedidos.

Isso está levando a uma explosão de novas empresas e vozes. As empresas que lideram esta tendência - Amazon, Facebook, Microsoft, Google, Apple, LinkedIn, Zynga e Twitter - estão todas sediadas e listadas em bolsas nos EUA. Então por que o pavor? Porque estamos deixando uma era que durou 50 anos durante a qual ser presidente, governador, prefeito ou um reitor de universidade, de um modo geral, significava oferecer coisas para as pessoas; e estamos entrando numa era em que ser presidente, governador, prefeito ou reitor, significará, no geral, tirar coisas das pessoas.

E se não fizermos esta transição de uma maneira inteligente, dizendo "aqui estão as coisas que nos tornaram grandes, que deram nascimento a todas essas companhias dinâmicas" - e nos assegurarmos de que estamos preservando o máximo que pudermos dela, esta tendência não vai se difundir como deveria.

O que precisamos preservar é a combinação mágica do ensino superior de vanguarda, a pesquisa financiada pelo governo e a imigração de pessoas ousadas com um alto QI. No conjunto, tudo isto constitui a galinha dos ovos de ouro dos EUA, botando todos esses ovos em Seattle e no Vale do Silício. No momento, a China desfruta de condições favoráveis - e o país só precisa fazer as tarefas que já inventamos, apenas mais barato. Os EUA têm de inventar novos empregos e isso requer preservar a galinha.

A Microsoft realiza mais de 80% da sua pesquisa nos EUA. Mas está cada vez mais difícil sustentar este trabalho quando os impasses no Capitólio impedem a empresa de obter vistos suficientes para os trabalhadores capacitados que necessita e as universidades americanas não estão produzindo em número suficiente. O número de vagas preenchidas na Microsoft este ano aumentou de 40.000 para 40.500 em Seattle, mas a lista dos cargos não preenchidos aumentou de 4 para quase 5 mil. No final, a empresa não terá outra alternativa senão transferir seus centros de pesquisa para outros países.

Há duas semanas, o Departamento do Trabalho informou que, mesmo com o alto índice de desemprego nos EUA, havia 3,74 milhões de vagas não cobertas em março. Isso, em parte, tem a ver com a falta de capacitação para a função. Numa tentativa para superar o problema e fechar essa brecha de financiamento no ensino superior no Estado de Washington, a Boeing e a Microsoft apoiaram financeiramente um projeto pelo qual o Estado, que tem reduzido o financiamento para as universidades estaduais e também não permite um aumento do valor das matrículas, permitirá que as faculdades gradativamente recrutem um número maior de estudantes. As duas grandes empresas contribuirão, cada uma, com US$ 25 milhões para bolsas de estudos para estudantes que queiram estudar ciência e tecnologia ou assistência médica, para desta maneira conseguirem os funcionários que precisam.

Isso não significa que devemos ignorar as difíceis decisões que precisamos tomar em termos de orçamento.

Mas a educação, a imigração e a pesquisa têm de ter seu lugar apropriado na discussão.

"Capacitar os indivíduos e não investir como se deve no coletivo é o nosso maior perigo como sociedade", diz Craig Charney, presidente da Charney Research. E é isso. Os investimentos em nossas instituições e em oportunidades coletivas são a única maneira de mitigar as terríveis desigualdades de renda que surgem num mundo em que os empregados do Facebook podem se tornar milionários da noite para o dia, ao passo que as universidades que os formaram cortam bilhões do seu orçamento da noite para o dia também.

Como disse, as nações que não investem no futuro, não devem prosperar ao chegarem lá. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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