Alvaro Barrientos|AP
Alvaro Barrientos|AP

Questão da Catalunha é ponto-chave em negociação de coalizão

Rajoy rejeita união com nacionalistas e Podemos condiciona aliança deesquerda a referendo sobre autodeterminação

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2015 | 06h45

MADRI - A independência da Catalunha deve ser um dos pontos-chave na tentativa formação de um governo de coalizão na Espanha, seja liderado pelo conservador Mariano Rajoy, do PP, seja pelo socialista Pedro Sánchez, do PSOE. O assunto, um dos mais controvertidos da campanha eleitoral que culminou na eleição de domingo, voltou a ter peso nesta segunda-feira, 21, quando o primeiro-ministro descartou a possibilidade de formar uma aliança com nacionalistas, enquanto o Podemos condicionou qualquer aliança de esquerda à realização de um referendo de autodeterminação pelos catalães.

O nacionalismo catalão é um dos mais claros pontos de divisão entre os partidos políticos espanhóis. De um lado, o PP e o PSOE, que se alternaram no poder por mais de 30 anos, defenderam a manutenção do status atual de comunidade autônoma da Catalunha.

Já os partidos emergentes se opõem frontalmente nesse ponto: Ciudadanos nasceu de um movimento pró-Espanha em Barcelona, contrário à independência da Catalunha, enquanto o Podemos tem grande parte de sua base de apoio em comunidades independentistas. Pablo Iglesias e seus seguidores foram os mais votados na Catalunha e no País Basco e ficaram em segundo lugar em Valência e na Galícia.

Referendo. Nesta segunda-feira, 21, Rajoy descartou a possibilidade de qualquer acordo político de coalizão que passe pela realização de um referendo sobre a independência da Catalunha ou do País Basco. “A Espanha não pode se permitir um longo período de indefinição”, ponderou o primeiro-ministro, enviando a seguir um recado direto ao Podemos, que defende o direito de autodeterminação dos catalães. “A maioria dos eleitores apoiou formações que compartilham a defesa da ordem constitucional, a unidade da Espanha, a soberania nacional, a igualdade entre os espanhóis, o papel da Espanha no exterior e a luta contra o terrorismo.”

Já Pablo Iglesias voltou a definir a Espanha como um país “plurinacional” e incluiu a realização do referendo na Catalunha entre cinco condições do partido – além da reforma do sistema eleitoral – para discutir uma eventual parceria de governo com o PSOE.

Para o radical de esquerda, a consulta popular é “imprescindível”. Iglesias chegou até a ironizar Sánchez. “Parece que os senhores que mandam no PSOE não entendem que a Espanha é um país diverso e plurinacional”, declarou.

O ponto curioso é que partidos unionistas, ou seja, favoráveis à integridade territorial espanhola e contra a independência da Catalunha, foram os mais votados no domingo na própria região marcada pelo movimento soberanista.

Sem contabilizar os votos do Podemos, que não se diz a favor nem contra o movimento independentista, 40% dos eleitores escolheram partidos pró-Espanha e 31% de nacionalistas.

Independentista, o presidente da região da Catalunha, Artur Mas, obteve um dos maiores fracassos da eleição, chegando apenas em quarto lugar, com 15% dos votos, depois de ter sido o número um em 2011.

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