Questão da segurança domina campanha eleitoral francesa

O problema da segurança domina a campanha para as eleições presidenciais de 21 de abril na França. Acontecem sucessivamente episódios assustadores, sobretudo perto das escolas. O cúmulo do horror atingiu Evreux, cidade média da Normandia. Lá, um estudante de 17 anos foi roubado por um bando de rapazes. Esse estudante contou isso a seu pai, que deu queixa à polícia. Mas, paralelamente, o pai do rapaz quis falar com aqueles que molestaram seu filho. Ele o fez de uma maneirapacífica.E foi uma tragédia! Os ladrões, como loucos, bateram violentamente no homem, massacraram-no, acabaram com ele com uma tijolada. A investigação descobriu que os agressores desse pai de família eram uns 30. Raros são os casos cujo final é tão abominável. Mas são freqüentes as operações de roubo. Em quatro meses foram registradas 1.104 tentativas nas escolas francesas. É evidenteque o número real é bem maior.Diante dessas práticas cada vez mais banais, osprofessores e os policiais ficaram desarmados. Na verdade, muito raramente as crianças contam que foram roubadas, seja para a polícia, os professores ou seus pais. Elas se calam porque têm vergonha de se terem deixado roubar. Mas também, e é compreensível, por medo de represálias.Os bandos de ladrões são crianças de uma violência até então desconhecida. São capazes, como o homicídio em Evreux acaba de comprovar, de assassinar em bandos. Basta um gesto, uma palavra, para que tudo se desencadeie. Em poucos segundos, o bando se torna uma corja de animais ferozes. É também por esse motivo que o assassinato daquele pai de família angustia os policiais. Há poucos meses, escolas e polícia iniciaram um trabalho pedagógico para vencer o silêncio. Com êxito. As vítimas começaram a falar.Mas ninguém duvida de que a barbárie em Evreux terá por conseqüência calar as bocas: como uma criança ousaria se queixar sabendo a que extremo podem chegar os ladrões? O perfil dos ladrões é conhecido. Para surpresa de todos, descobriu-se que o roubo é praticado não só por rapazes, mas também por garotas. De um grupo de crianças sob a guarda da "proteção judiciária de menores delinqüentes", 25% dos rapazes e 11% das moças tinham roubado nos 12 últimos meses.Os objetos mais cobiçados são os telefones celulares. É novo e facilmente negociável, explica uma assaltante. Em seguida vêm os walkmans, os casacos de couro, os porta-moedas, o dinheiro. A vítima geralmente é uma criança, menino ou menina, de um meio abastado, bem vestida, elegante. Diante das crianças que cresceram na rua, na miséria, não sabem como reagir e se curvam.

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