Larry Downing/Reuters
Larry Downing/Reuters

Questões raciais e de gênero vão marcar encontro democrata

Diversidade de delegados é trunfo do partido de Obama para enfatizar a diferença do rival republicano

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Charlotte, EUA,

03 de setembro de 2012 | 20h49

CHARLOTTE, EUA - O Partido Democrata vai explorar a partir desta terça-feira, em sua convenção nacional em Charlotte, uma carta até agora mantida na manga: a diversidade racial e de gênero de seus delegados e militantes. Com a iniciativa, o presidente Barack Obama pretende enfatizar mais uma diferença diante de seu rival republicano Mitt Romney. Além das contradições na área econômica, ambos os candidatos falam para bases eleitorais distintas.

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A massa de eleitores brancos, sobretudo de idosos, dominou a audiência da convenção republicana em Tampa, na semana passada. Nesta segunda-feira, 3, antes mesmo do início da reunião democrata no Estado da Carolina do Norte, já se via a afluência de negros, latinos, brancos, árabes e asiáticos, organizados em frentes para o evento, assim como de mulheres e portadores de deficiência.

Para o evento democrata, que formalizará a candidatura de Obama à reeleição, o partido escolheu um hispânico, o prefeito de Los Angeles, Antonio Villarraigosa, que prometeu fazer desta a convenção "mais diversa, aberta e acessível" da história. Segundo os organizadores, a frente hispânica terá cerca de cem representantes a mais do que em 2008. A metade do total de 5.556 delegados do partido, neste ano, será de mulheres.

A idade média dos delegados de ambos os partidos, em 2008, foi de 54 anos. Mas a representação dos jovens não chegou a crescer significativamente. Dos democratas, saiu de 3% e chegou a 7%. Dos republicanos, passou de 4% para 3%. Boa parte desse novo cenário diz respeito às mudanças na demografia dos EUA e explica por que Romney, apesar da débil situação econômica do país, não consegue se desvencilhar do embate e abrir vantagem nas pesquisas de opinião.

"Temos um país diferente. Se a eleição se desse com base na demografia de 1980, Romney teria dez pontos de vantagem", afirmou na semana passada o republicano Whit Ayres, presidente da empresa de pesquisas North Star.

Alvos

Para o segundo discurso mais importante da convenção, depois do de Obama, foi escolhido o prefeito de San Antonio (Texas), Julian Castro. Aos 38 anos, formado pela mesma Escola de Direito de Harvard onde Obama formou-se, Castro é apontado como uma das maiores promessas do partido.

Na plataforma democrata, a ser aprovada nesta semana, a diversidade será refletida especialmente na defesa de uma ampla reforma na lei de imigração. A mesma promessa, porém, fora feita por Obama em 2008.

Pesquisa do American Enterprise Institute sobre a composição dos delegados dos dois partidos entre 1968 e 2008 mostrou que a participação de negros entre os democratas aumentou de 5% para 23%. No caso dos republicanos, saiu de 2% e chegou a 6%, em 2004. Mas voltou a baixar a 2% em 2008, quando Obama foi eleito. A presença democrata de mulheres foi de 13%, em 1968, para 49% na última eleição. Do lado republicano, saiu de 16%, passou a 37%, em 1988, e caiu para 32% em 2008.

Apesar das adversidades para organizar a convenção em Charlotte - desde um escândalo sexual no partido à resistência dos sindicatos -, o prefeito da cidade, Anthony Foxx, defendeu que essa escolha é um sinal importante para o Sul dos EUA, vinculado nos últimos 40 anos ao Partido Republicano. Uma das promessas do partido para o futuro, Foxx, que é negro, vê a Carolina do Norte e a Virgínia como Estados-chave para a eleição.

O eleitorado em ambos, porém, ainda está indefinido. "Aqui, Obama e Romney ainda estão empatados. Mas é (com os Estados do sul dos EUA) que o presidente pode vencer."

 

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