Christian Hartmann / Reuters
Christian Hartmann / Reuters

Quinto dia de greve provoca mais de 500 km de congestionamento na França

Atos são protesto contra a reforma da Previdência do governo do presidente Emmanuel Macron

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2019 | 11h00

PARIS - Centenas de quilômetros de congestionamentos e o caos nos transportes públicos marcaram nesta segunda-feira, 9, o quinto dia de greve na França contra a reforma da Previdência do governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um teste crucial para seu projeto.

A paralisação nos transportes provocou cenas de caos, sobretudo em Paris, com poucos trens e linhas de metrô em circulação e mais de 500 km de engarrafamentos.

Nesta manhã, 9 das 15 linhas de metrô da capital francesa estavam completamente fechadas e apenas 2 - 100% automatizadas e que circulam sem condutor - funcionavam normalmente.

500 km de engarrafamento

Diante da falta de transportes públicos e de fortes chuvas, muitos franceses foram obrigados a utilizar os próprios veículos, o que gerou mais de 500 km de engarrafamentos na região de Paris às 8h00, três vezes acima do normal.

Para Entender

O sistema de Previdência social igual para todos proposto por Macron

Reforma é a mais audaciosa da agenda social do presidente francês para este ano e busca extinguir as distorções que beneficiam vários setores; em contrapartida, não haverá aumento da idade de aposentadoria, hoje fixada em 62 anos

Sete das 25 garagens de ônibus de Paris amanheceram bloqueadas por grevistas e apenas um terço dos veículos saiu às ruas.

A empresa estatal de ferrovias SNCF cancelou ao menos 80% das viagens dos trens de alta velocidade e advertiu para o risco de saturação nas estações. 

Nova jornada de greve e inquietação

A situação não deve melhorar na terça-feira, dia em que os sindicatos convocaram uma nova jornada de greve e manifestações, após o sucesso da paralisação da última quinta, que levou 800 mil pessoas às ruas.

A prorrogação da greve inquieta os empresários, que até agora previam um impacto moderado, mas que temem um agravamento com bloqueios e escassez de combustíveis no período das festas de dezembro.

A mobilização é um protesto contra um "sistema universal" de aposentadorias, que pretende substituir os atuais 42 regimes de aposentadoria existentes.

O governo francês promete um dispositivo "mais justo", mas os críticos - quase todos os sindicatos e a oposição de esquerda - afirma temer uma "precariedade maior" para os aposentados.

O projeto de reforma da Previdência ainda não foi revelado na íntegra, mas o governo já divulgou várias mudanças previstas. O Executivo pode propor uma transição de 10 a 15 anos entre os regimes atuais e o futuro sistema. Sob forte pressão, o Executivo pretende apresentar o projeto completo na quarta-feira.

Reunião

Nesta segunda-feira, Macron receberá os principais ministros de seu gabinete para concluir os detalhes do projeto, que, segundo os influentes sindicatos do país, obrigará os franceses a trabalhar por mais tempo para receber uma pensão menor.

O alto comissário Jean-Paul Delevoye, que redigiu a reforma, se reunirá com representantes dos sindicatos para tentar superar o bloqueio.

Mas os sindicatos estão determinados a manter a disputa. "Não cederemos até a retirada da reforma, da qual não existe nada de bom", disse Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, uma das principais centrais sindicais do país.

Uma pesquisa publicada no domingo mostrou que 53% dos franceses apoiam a greve ou expressam simpatia por suas demandas, o que representa um aumento de seis pontos porcentuais em uma semana. / AFP

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