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Após retirar mais 4 garotos de caverna, Tailândia inicia preparativos para 3ª operação de resgate

Primeira etapa dos trabalhos conseguiu retirar 8 dos 12 meninos presos em galerias subterrâneas; segundo equipe médica, todos se recuperam bem não sofrem problemas graves de saúde

O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 04h35
Atualizado 10 Julho 2018 | 01h34

MAE SAI, TAILÂNDIA -  Os preparativos para a terceira operação de resgate dos meninos retidos em uma caverna inundada na Tailândia foram iniciados nesta segunda-feira (terça-feira, 10 na hora local).

Quatro meninos foram resgatados mais cedo, totalizando oito o número de garotos retirados das galerias subterrâneas, 16 dias após eles terem ficado presos no complexo de túneis, em razão de uma tempestade que inundou o local. Ainda estão na caverna quatro meninos e seu treinador de futebol, de 25 anos.  

As autoridades de saúde da Tailândia confirmaram que os oito jovens se "recuperam bem" e não sofrem problemas graves de saúde. Os médicos analisaram o sangue e os pulmões dos jovens, além de fornecer de forma intravenosa soro para melhorar as suas defesas e injetar-lhes várias vacinas, disse em entrevista coletiva o secretário para a Saúde Pública, Jetsada Chokedamrongsuk.

Ele afirmou ainda todos estão em bom estado físico e mental. "Os oito estão em bom estado, não têm febre", disse. "Todos estão em bom estado mental", acrescentou.

Segundo o ex-governador da Província de Chiang Rai, Narongsak Osattanakorn, os primeiros trabalhos foram retomados às 11 horas da segunda (1h em Brasília). "Todas as condições estão tão boas como estavam ontem (domingo)", disse Narongsak. "Hoje estamos tão prontos como ontem e faremos (o resgate) mais rápido porque temos medo da chuva", acrescentou.

As autoridades fizeram um intervalo nas operações de resgate depois de ter conseguido retirar oito meninos nos últimos dois dias. "Alguns dos trabalhadores precisam descansar, enquanto outros se encarregarão de preparar a jornada seguinte", indicou Narongsak, que agradeceu o esforço das mais de 100 pessoas que participam da operação de salvamento dos menores e de seu monitor.

As operações correm contra o tempo para salvar os garotos, com idades entre 11 e 16 anos, e seu técnico, enquanto a temporada das chuvas de monções se aproxima. Os trabalhos para bombear água são incessantes e, segundo autoridades, os níveis de água no interior da caverna não aumentaram.

Os quatro garotos que foram resgatados no domingo estão felizes e têm boa saúde, de acordo com informações de autoridades tailandesas. Os médicos informaram ontem que eles já comem normalmente. Eles tiveram de atravessar passagens escuras, apertadas e tortuosas para chegar à saída da caverna. "Esta manhã eles disseram que estavam com fome e queriam comer khao pad grapao", disse o governador interino, referindo-se a um prato tailandês de carne frita com pimenta e manjericão, servido com arroz.

Mesmo apresentando boa saúde, ainda não têm permissão para entrar em contato com seus parentes, devido ao risco de infecções. Os garotos puderam ver suas famílias através de uma divisória de vidro, disse o chefe da operação. Eles devem permanecer internados por sete dias.

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Segundo o ministro do Interior da Tailândia, Anupong Paojinda, a equipe de resgate é a mesma que retirou as primeiras quatro crianças da caverna. O grupo precisou pausar a operação de resgate por mais de dez horas para reabastecer os reservatórios de oxigênio utilizados na travessia nas áreas submersas. 

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Primeira fase

A primeira etapa da operação de resgate foi realizada entre a madrugada e início da manhã de domingo, 8 (início da manhã e fim da tarde, no horário local) e retirou 4 das 12 crianças que estavam presas dentro da caverna. Os menores receberam os primeiros atendimentos no hospital de campanha montado perto da entrada da caverna e foram encaminhados de helicóptero para um hospital em Chiang Rai, onde um andar inteiro foi reservado para as crianças. 

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Segundo o chefe da operação, governador interino da Província de Chiang Rai, Narongsak Osottanakorn, as condições para o resgate estavam perfeitas e que a operação "foi melhor que o esperado". Ao todo, 90 mergulhadores participam do resgate - entre membros da Marinha tailandesa e estrangeiros. A previsão é que os trabalhos durem por dias.

Antes do início do resgate, especialistas avaliaram que o risco enfrentado pelos níveis submersos da caverna, visto que nenhuma das crianças teve treinamento intensivo em mergulho e todas estão fora das condições físicas adequadas. No entanto, o chefe da operação diz que a então melhora no tempo abriu uma janela de oportunidade que poderia se fechar caso as chuvas torrenciais retornassem à região, dificultando a drenagem da água da caverna e limitando as chances de acesso às crianças. Ele afirmou também que os parentes das crianças foram alertados dos riscos da operação de resgate.

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O caminho de 1,7 quilômetros até a câmara onde estão as crianças e o técnico é escuro e repleto de passagens estreitas e submersas. A correnteza no local é forte e os níveis de oxigênio são baixos. A trajetória é tão difícil que um ex-mergulhador da Marinha da Tailândia morreu durante uma tentativa de resgate.

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As 12 crianças, com idades entre 11 e 16 anos, fazem parte de um time de futebol juvenil. Os jovens desapareceram no dia 23 de junho, quando estavam explorando uma caverna. Eles estavam acompanhados do técnico, de 25 anos. Todos ficaram presos no local após uma enchente inundar parcialmente a saída da caverna. O grupo foi localizado na última segunda-feira, 2. O drama arrebatou a Tailândia e foi manchete em todo o mundo. A operação de busca e resgate envolveu especialistas  e equipes de resgate internacionais.

Operação

No domingo, surgiram rumores de que os garotos poderiam estar sendo sedados para não entrarem em pânico durante o mergulho arriscado.  No entanto, nenhuma autoridade da Tailândia confirmou a informação. Na semana passada, Saman Kunan, de 38 anos, ex-integrante do grupo de elite da Marinha tailandesa, morreu quando fazia o trajeto de volta da caverna.

Segundo autoridades provinciais, ao todo, 90 mergulhadores participam dos trabalhos, sendo 40 tailandeses e 50 de outros países. Nas operações de salvamento, porém, apenas 13 participam. Do lado de fora, médicos, helicóptero e ambulâncias aguardam a saída dos sobreviventes./REUTERS, ASSOCIATED PRESS, EFE, THE WASHINGTON POST, AFP e AP

 

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