Quirguistão prende 19 supostos organizadores dos conflitos étnicos

Segundo governo interino, ações foram planejadase financiadas por grupos terroristas e ex-presidente

Efe

24 de junho de 2010 | 11h49

MOSCOU - Os corpos de segurança do Quirguistão anunciaram nesta quinta-feira, 24, a prisão de 19 supostos organizadores e participantes ativos dos choques étnicos no sul do país, que já deixaram pelo menos 261 mortos.

 

Segundo o chefe do Serviço Nacional de Segurança (SNS), Keneshbek Dushebáyev, os enfrentamentos entre quirguizes e usbeques foram organizados por organizações terroristas internacionais em colaboração com familiares do presidente deposto Kurmanbek Bakiyev, informou de Bishkek a agência russa Interfax.

 

"São as organizações terroristas internacionais 'Movimento islâmico do Usbequistão' (MIU) e a 'União da Jihad Islâmica' (UJI, do Afeganistão), com a participação ativa de membros do clã dos Bakiyev", disse.

 

Acrescentou que os choque foram financiados principalmente por Maxim Bakiyedv, filho mais novo do presidente deposto, que presumidamente estava disposta a investir 30 milhões de dólares com este objetivo.

 

Sublinhou que os objetivos das organizações terroristas e da família de Bakiyev eram distintos, mas "ambos os grupos aspiravam ao poder e pretendiam desestabilizar o país".

 

Indicou que "as ações terroristas na zona do conflito receberam o apoio de ex-ministro e funcionários mais próximos de Bakiyev", que se refugiou na Bielo-Rússia.

 

Por outro lado, assinalou que também desempenharam um papel importante na desestabilização "vários líderes de centros culturais nacionais", que pedem a introdução do usbeque como segundo idioma oficial e a criação de uma autonomia nacional.

 

Segundo o porta-voz da SNA, durante as investigações nas oito causas abertas pela violência étnica nas regiões de Osh e Jalal-Abad, as forças de segurança encontraram 11 granadas, 53 bombas de fabricação caseira, 58 armas automáticas, uma metralhadora de grosso calibre e mais de 3.000 cartuchos.

 

Além disso, os agentes acharam equipamentos para escuta e material para a fabricação de bombas caseiras na casa de Inom Abdrasúlov, um dos líderes da comunidade usbeque no sul do país e considerado um dos organizadores dos enfrentamentos.

 

Enquanto isso, cerca de 70.000 refugiados quirguizes de origem usbeque que haviam fugido da violência étnica para o vizinho Usbequistão já regressaram ao Quirguistão, informou Cholponbek Turusbékov, chefe adjunto do Serviço de Proteção de Fronteiras quirguiz, citado pela agência 24.kg.

 

Acrescentou que a situação agora na fronteira entre ambos países é estável e que não se registraram incidentes.

 

O Ministério de situações de Emergência dos Usbequistão cifrou em cerca de 83.000 os refugiados neste país, enquanto que a ONU falou em cerca de 100.000.

 

Os choques entre quirguizes e usbeques no sul do Quirguistão começaram em Osh, a segunda maior cidade do país, na madrugada do último dia 11 e logo se propagaram para a vizinha Jalal-Abad, apesar do estado de exceção decretado pelo governo provisório quirguiz.

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