Quirguistão torna definitiva decisão de fechar base dos EUA

Local estratégico é essencial para o abastecimento dos soldados americanos no Afeganistão

REUTERS, AP e AFP, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Quirguistão anunciou ontem que é definitiva a decisão de fechar a base aérea americana de Manas, essencial para o abastecimento dos cerca de 30 mil soldados americanos e 25 mil da Otan no Afeganistão. A resolução final deve ser votada - e aprovada com facilidade - pelos parlamentares na próxima semana."O assunto agora está nas mãos do Parlamento, que deve cancelar o acordo sobre a base com os EUA. O Ministério das Relações Exteriores já está discutindo com os americanos a agenda para o fechamento da instalação", disse Aibek Sultangaziev, porta-voz do governo. A decisão é um duro golpe para a Casa Branca, que até ontem ainda dizia estar negociando com o governo quirguiz.Agora, o presidente Barack Obama, que prometeu intensificar a guerra no Afeganistão, terá de encontrar outra entrada segura de suprimentos para as tropas da Otan no front afegão - a rota principal, pelo Paquistão, é considerada instável.ALTERNATIVAEm Washington, cresce a desconfiança de que o fechamento da base, estrategicamente localizada na Ásia Central, tem o dedo de Moscou. O anúncio da saída dos americanos foi feito esta semana pelo presidente quirguiz, Kurmanbek Bakiyev, durante viagem oficial à Rússia. O Kremlin aproveitou a visita para anunciar uma linha de crédito de US$ 2 bilhões ao Quirguistão.A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que lamentava a decisão. "As operações no Afeganistão, no entanto, continuarão ocorrendo da maneira mais efetiva possível", afirmou Hillary.Depois do anúncio do fechamento da base, a embaixadora dos EUA no Tajiquistão, Tracey Jacobson, disse que o presidente tajique, Emomali Rakhmon, está disposto a abrir um corredor aéreo para o trânsito de materiais não-militares às tropas da Otan. Segundo ela, a Otan está disposta a assinar na próxima semana com o Tajiquistão um acordo sobre o trânsito de suprimentos. Os porta-vozes do Pentágono e da Casa Branca confirmaram que os EUA estão negociando com o Tajiquistão. A Rússia, que nega qualquer influência sobre a decisão do Quirguistão, também ofereceu ontem uma rota segura para os suprimentos americanos. BIDENO vice-presidente dos EUA, Joe Biden, fará hoje na Alemanha o que está sendo considerado pelos analistas como "o primeiro grande discurso sobre política externa do governo Obama". Convidado para uma conferência internacional sobre segurança em Munique, ele deve defender a opção de Obama pelo multilateralismo, destacar o papel dos aliados europeus e traçar as linhas gerais da política externa dos EUA nos próximos anos.O encontro, que começou ontem e termina amanhã, tem permitido várias conversas paralelas sobre não-proliferação entre o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, o negociador-chefe nuclear do Irã, Ali Larijani, o enviado dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, e o chanceler russo, Serguei Lavrov.

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