Quito exige que Bogotá revele seus informantes

Equador quer nomes dos funcionários equatorianos que colaboraram na ação militar que matou Raúl Reyes

AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

O governo do Equador exigiu ontem que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, revele quais foram os funcionários equatorianos que colaboraram na ação militar que resultou na morte do "número 2" da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, em 1º de março. "Uribe tem a obrigação política e ética de informar ao governo equatoriano quais foram os grupos de inteligência e oficiais que participaram da ação sem a autorização do Equador", disse o vice-ministro da Defesa Miguel Carvajal.O vice-ministro afirmou que logo após a incursão militar colombiana no acampamento das Farc em solo equatoriano, Uribe disse que a ação foi coordenada "com equipes de inteligência e membros da Força Pública" do Equador. Carvajal disse que Bogotá tem de "divulgar a quem pagou a recompensa pela suposta informação que conduziu ao ataque". No dia 5, Uribe anunciou o pagamento de um prêmio de US$ 2,6 milhões pela informação relacionada com a ação que, além de Reyes, deixou outros 24 mortos.O pedido de Quito intensificou a troca de farpas entre os dois governos, depois que Bogotá afirmou que o presidente equatoriano, Rafael Correa, instruiu seus militares a não combater as Farc no país.No domingo, um comunicado da presidência colombiana afirmou que o líder equatoriano "desautorizou" no passado operações militares de soldados de seu país contra os guerrilheiros das Farc.Poucas horas depois, o ministro da Defesa equatoriano, Javier Ponce, exigiu que o governo colombiano apresentasse em 48 horas provas da acusação. "Se a Colômbia soube que Correa pediu às Forças Armadas para não atacarem as Farc, tem de dizer como soube e o que soube", afirmou Ponce. A resposta de Bogotá foi quase imediata: "A grande prova foi a presença notória de Raúl Reyes no Equador atentando desde lá contra o povo colombiano." Ontem, Quito anunciou que vai apresentar uma "queixa formal" perante a Organização dos Estados Americanos (OEA) por considerar "insuficiente" a resposta colombiana.COMPRA DE ARMASA Colômbia anunciou ontem que a partir de maio receberá 25 helicópteros, 8 aviões, 187 caminhões blindados e 13 mil armas. O material faz parte de uma compra feita no ano passado para reforçar a luta interna contra os grupos armados que atuam no país. "Entre maio e novembro chegarão ao país tanto as aeronaves como as demais compras", disse o vice-ministro da Defesa Juan Carlos Pinzón. Bogotá investiu US$ 2,8 bilhões na compra dos equipamentos. Do material que chegará, o único adquirido antes de 2007 são os aviões Super Tucano, do Brasil, dos quais a Colômbia comprou 25, mas 8 ainda não foram entregues.

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