Rabbani se declara governante legítimo do Afeganistão

O ex-presidente do Afeganistão Burhanuddin Rabbani, deposto em 1996 pelo Taleban, retornou neste sábado a Cabul e se declarou o chefe de Estado legítimo do país. Rabbani é o líder político da coalizão Aliança do Norte, que já controla mais de 60% do território afegão e se comprometera com os Estados Unidos e aliados a apoiar a formação de um governo representativo de todas as etnias e facções. A ONU nunca reconheceu oficialmente a destituição de Rabbani da presidência, mas na atual crise de poder pós-Taleban, a entidade defende a formação de um governo transitório de ampla representatividade. Isso porque a aliança é integrada basicamente pelas etnias minoritárias usbeque, tadjique e hazara. Rabbani é um tadjique, não aceito pela etnia dominante no país, a pashtun. Hoje, o vice-representante da ONU para o Afeganistão, o espanhol Francesc Vendrell, rumou para Cabul para convidar a aliança a tomar parte numa conferência multiétnica para a definição do governo de transição. Em tom conciliador, o chanceler da aliança, Abdullah Abdullah, frisou que a coalizão permanece comprometida com a formação de tal governo, que incluiria pashtuns. Aparentemente, Rabbani e seus partidários pretendem participar, numa posição de força, das negociações para a nova administração. Rabbani, cuja volta contraria seu compromisso de aguardar a formação do futuro governo, disse que os ministérios deveriam voltar ao controle daqueles que os comandavam antes de o Taleban destituir seu governo, em 1996. Mas garantiu que apóia a formação de um amplo governo. "Não viemos a Cabul para prolongar nosso governo. Viemos pela paz. Estamos preparando o terreno para convidar grupos pacíficos e todos os intelectuais afegãos no exílio que trabalham pela paz", afirmou. Ele voltou a enfatizar que o rei exilado afegão Mohammad Zahir Shah - que os Estados Unidos propõem como o líder da conferência - poderia participar "como um cidadão afegão". A Rússia informou que enviará uma equipe a Cabul para ajudar na formação de um governo de transição, mas descartou enviar tropas para integrar uma força de paz. "O Afeganistão não é Kosovo, e enviar uma força de paz ao país requer uma aproximação extrememente prudente", disse Sergei Ivanov, ministro de Defesa da Rússia. Moscou considera "perigoso" o vácuo de poder que existe atualmente no Afeganistão e é favorável a um trabalho em conjunto para se chegar à estabilidade política em Cabul. "É preciso evitar uma nova guerra civil no Afeganistão e este perigo existe", declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Igor Ivanov. Leia o especial

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