Nasser Shiyoukhi/AP
Nasser Shiyoukhi/AP

Rabino é morto por engano pelo Exército de Israel

Agentes confundiram religioso com militante palestino e abriram fogo contra seu carro

Reuters

11 de novembro de 2011 | 20h45

JERUSALÉM - O Exército de Israel matou um rabino de 55 anos na região de Hebron, no sul da Cisjordânia, no fim da madrugada desta sexta-feira, 11. Confundido com um militante palestino, Dan Mertzbach foi atingido por um disparo na cabeça enquanto se encaminhava para as orações matinais na Tumba dos Patriarcas. Os soldados que abriram fogo contra o carro do religioso classificaram a morte como "acidental". Duas mulheres que o acompanhavam ficaram feridas - uma delas com um tiro no quadril.

 

Fundador do assentamento de Otniel, onde vivia, Mertzbach morreu antes de ser socorrido. Segundo o comando do Exército israelense, por volta das 5h30, os militares envolvidos no incidente desconfiaram do Peugeot onde estava o rabino, que era "conduzido de maneira suspeita", e resolveram deixar o posto de observação de Beit Hagai com a intenção de parar o carro para uma averiguação.

 

"Mas (os soldados) não conseguiram estabelecer um posto de controle a tempo e deram sinal para que o veículo parasse. O carro não parou e um soldado disparou oito tiros contra ele."

 

Em nome do Conselho do Sul do Monte Hebron, Tziviki Bar Hai afirmou ao jornal israelense Yedioth Ahronoth que o incidente ocorreu "antes do amanhecer e, aparentemente, não houve contato visual entre os soldados e a vítima".

 

Os militares teriam ficado com medo de que se tratasse de um ataque de palestinos que tentariam atropelá-los. A imprensa local afirmou que, quando atravessava a pista da estrada para checar o veículo, o soldado que matou o rabino foi atropelado por uma van que carregava palestinos. O militar e alguns passageiros sofreram ferimentos leves.

 

O Exército de Israel abriu uma investigação para apurar as circunstâncias exatas da morte do religioso, que foi enterrado no cemitério do Monte das Oliveiras, em Jerusalém Oriental. Para sua família ter direito a indenização, o governo classificou a morte como um "ato de terror", apesar de terem sido militares israelenses que atiraram. 

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