Eyal Warshavsky/AP
Eyal Warshavsky/AP

Rabino israelense Ovadia Yosef morre aos 93 anos

Líder dos judeus sefarditas e mentor espiritual do Shas, Yosef estava internado desde setembro

O Estado de S. Paulo,

07 de outubro de 2013 | 16h29

O rabino israelense Ovadia Yosef, mentor espiritual dos radicais ultra-ortodoxos do partido Shas morreu nesta segunda-feira, 7, em Jerusalém, aos 93 anos. O estado de saúde de Yosef, hospitalizado desde setembro por problemas cardíacos e respiratórios, havia se agravado na noite de domingo.

Nascido no Iraque, Yosef transformou uma classe israelense de judeus sefarditas do Oriente Médio em uma força política poderosa. O rabino não deixou um sucessor claro, levantando questões sobre o futuro do Shas. "Ficamos órfãos", declarou o líder político do Shas, Aryeh Deri. "Não temos mais um pai, um líder", completou.

O presidente Shimon Peres visitou o rabino na manhã de hoje, no hospital Hadassah de Jerusalém, pouco antes de sua morte. Em nota, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o país perdeu um dos homens mais sábios de sua geração. "O rabino Yosef era um gigante na Torá e nas leis judaicas e um mentor para milhares de pessoas", destacou.

A morte de Yosef causou uma enorme onda de lamentações. Nas ruas, seguidores do líder religioso recitavam o Kaddish, tradicional oração dos judeus para os mortos. O chefe de polícia de Jerusalém, Yossi Paryente, estimou que pelo menos 500 mil pessoas participaram do velório, o maior que já foi aconteceu na cidade.

HISTÓRICO

Nascido em Bagdá, Yosef chegou em Jerusalém quando tinha quatro anos e foi ordenado como rabino aos 20. Em 1947, um ano antes da fundação de Israel, Yosef foi para o Cairo, onde dirigiu um tribunal rabínico e tornou-se vice-rabino-chefe do Egito.

Em 1950, Yosef voltou para Jerusalém, servindo como juiz em tribunais religiosos que lidam com questões de família e divórcio. Também serviu como rabino chefe sefardita de Israel entre 1973 e 1983, cargo agora ocupado por um de seus 11 filhos, Yitzhak Yosef.

No começo dos anos 2000, o rabino causou polêmica ao afirmar que palestinos e árabes, de forma geral, eram "formigas" ou "cobras".

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