Raça de Obama é tema importante na campanha, revela pesquisa

A raça do candidato democrata àPresidência dos Estados Unidos, Barack Obama, vai complicar suacorrida pela Casa Banca, disseram os norte-americanos ementrevistas e em uma pesquisa na qual cerca de um terço delesadmite ter preconceito racial. Em entrevistas concedidas à Reuters, algunsnorte-americanos reforçaram as descobertas da pesquisaWashington Post-ABC News, divulgada no domingo e que mostra queas relações raciais nos EUA estão melhorando, mas os problemaspersistem. Senador pelo Estado de Illinois que pode tornar-se oprimeiro negro a ser eleito presidente do país, Obama disse nasexta-feira prever que os republicanos vão destacar o fato deele ser negro para tentar fazer com que os eleitores tenhammedo dele. Quase metade dos ouvidos pela pesquisa disseram que asrelações raciais estão em situação ruim. Três de cada 10admitiram ter sentimentos de preconceito racial. O levantamento foi feito para ajudar a mensurar o efeito deidade e raça na eleição de novembro, na qual Obama e orepublicano John McCain vão disputar a sucessão do presidenteGeorge W. Bush, do Partido Republicano. McCain, que completará 72 anos em agosto, se tornaria omais velho candidato eleito no primeiro mandato da disputapresidencial dos EUA. A pesquisa revelou que há uma preocupaçãomaior com a idade de McCain do que com a raça de Obama. Obama tem 46 anos e é filho de mãe branca do Estado doTexas e pai negro do Quênia. Ele se classifica como umcandidato que pode resolver divisões no país, incluindo as queenvolvem raça. "Os Estados Unidos percorreram um longo caminho, mas aindanão estão onde deviam estar", disse o artista Stacy Johnson,que vive e trabalha no sul do Arizona. "Mesmo que não haja maislinchamentos, a questão ainda está no fundo da mente daspessoas. Ainda há preconceito." Cerca de 51 por cento dos entrevistados disseram que asrelações raciais são excelentes ou boas, mas a diferença entreas opiniões de negros e brancos sobre raça é a maior desde aspesquisas realizadas em 1992. Os negros expressaram posiçõesmais negativas, de acordo com o levantamento. Avaliar o sentimento público sobre raça, especialmenteentre os norte-americanos brancos, é reconhecidamente algodifícil. Os pesquisadores dizem que alguns entrevistados parecemmoderar suas opiniões para evitar revelar preconceito em umpaís dividido em relação à escravidão, segregação racial ediscriminação iniciadas desde antes da fundação da nação, maisde 230 anos atrás. Obama previu na sexta-feira que os republicanos, incapazesde defender seu governo na economia ou no manejo da políticaexterna pelo governo Bush, iriam fazer uma campanha voltadapara o medo. "Eles vão tentar fazer com que vocês tenham medo de mim,dizendo: 'Ele é jovem e inexperiente e ele tem um nomeengraçado. E eu mencionei que ele é negro?"', afirmou Obama. (Reportagem adicional de Tim Gaynor no Arizona e CarenBohan na cobertura da campanha)

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