''Raça não será determinante''

Obama revida ataque de Hillary, mas rejeita debate

NYT, AP e Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2008 | 00h00

O pré-candidato democrata Barack Obama tratou ontem de se defender das acusações da rival Hillary Clinton sobre sua suposta incapacidade de conseguir votos entre eleitores brancos: "A questão racial não será um fator determinante nas eleições de novembro", disse Obama, numa entrevista à rede de TV conservadora Fox News. "Estou confiante de que o povo americano quer é alguém que resolva os seus problemas."Segundo alguns analistas, a causa da vitória de Hillary sobre Obama por quase 10 pontos percentuais nas primárias da Pensilvânia, na semana passada, foi a dificuldade do senador de Illinois de atrair votos dos brancos operários e de classe média. Nos últimos dias, Hillary tem usado esse argumento numa tentativa de provar que Obama seria incapaz de derrotar o republicano John McCain nas eleições presidenciais. "A principal questão é: por que ele não consegue ganhar num grande Estado como esse?" disse Hillary, referindo-se à derrota de Obama na Pensilvânia. Na entrevista, Obama reconheceu a necessidade de atrair a classe média branca, mas lembrou que Hillary também foi derrotada em Estados conservadores, como Idaho. "Não venci apenas em Estados onde só há eleitores negros e liberais, que andam de limusine", disse Obama. "Estou confiante de que durante as eleições gerais, quando tivermos um debate sobre o futuro do país, serei capaz de atrair outros eleitores."Ainda ontem, Hillary desafiou Obama a participar de um debate sem moderadores em Indiana, onde serão as próximas primárias, mas o senador recusou o desafio. A justificativa foi que ambos já participaram de 21 debates nas 17 semanas de campanha.IRONIASA disputa acirrada pela indicação democrata ameaça enfraquecer a campanha presidencial do partido. O problema é que, enquanto Hillary e Obama trocam farpas, McCain avança na corrida pela Casa Branca. Em um jantar em Washington, o presidente George W. Bush, que segundo pesquisas já é um dos mais impopulares da história dos EUA, ironizou o fato de o candidato republicano não ver nele um cabo eleitoral. "O senador McCain não está aqui", disse Bush. "Ele deve estar querendo se distanciar um pouco de mim. Ele não está sozinho. Minha filha Jenna também está indo embora de casa", acrescentou, citando a filha que vai se casar.

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