Racha aumenta e expõe divisões no Partido Republicano

Conservadores brigam contra financiadores da campanha; governador de Indiana anuncia que não será candidato

AP, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

Os republicanos moderados intensificaram a procura por um pré-candidato presidencial que derrote os ultraconservadores do Tea Party nas primárias do partido, no ano que vem. A busca, que expõe o racha entre os opositores do presidente democrata, Barack Obama, sofreu um duro golpe ontem, com a decisão de Mitch Daniels, governador do Estado de Indiana, de se retirar da corrida.

A divisão no partido coloca em lados opostos os conservadores do Tea Party e a ala ligada ao setor empresarial, que dá apoio financeiro à campanha. Vários dos principais doadores republicanos faziam pressão para que Daniels se lançasse pré-candidato. Com sua saída, as principais apostas agora são em Jeb Bush, ex-governador da Flórida e irmão de George W. Bush, e Chris Christie, governador de New Jersey.

O objetivo é encontrar alguém com um forte histórico de defesa da economia e com estatura política para derrotar Obama. A jogada de bastidor está sendo encarada como uma ofensa pelo Tea Party, que defende um candidato republicano que ataque o establishment, como a deputada Michele Bachmann, de Minnesota, ou a ex-governadora do Alasca Sarah Palin. Uma guerra contra os doadores, porém, pode diminuir as chances de vitória do partido.

A situação mostra a corrida presidencial no Partido Republicano completamente aberta. O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney é o favorito, mas o apoio que ele dá ao sistema de saúde de seu Estado - muito parecido com o de Obama - faz muitos conservadores ficarem com um pé atrás.

No vácuo de poder aparece o Tea Party, que defende o Estado mínimo, orçamentos equilibrados e cortes de impostos. O movimento ganhou força nas eleições de meio de mandato, em 2010, e tornou-se uma plataforma para candidatas como Michele e Sarah, que batem de frente com a ala mais antiga dos republicanos.

Michele foi a que mais entusiasmou os conservadores no Estado de Iowa, onde será dado o pontapé inicial para as primárias do partido. Ela diz que a escolha de um candidato republicano mais tradicional afastaria muitos eleitores conservadores e aumentaria as chances de Obama.

"Acho que as pessoas querem ser ouvidas. Quando parece que a população está sendo ignorada, como na escolha desses candidatos, as pessoas realmente se sentem em segundo plano", disse Michele. "Eu entendo essa frustração."

O ex-deputado Newt Gingrich e o ex-senador Rick Santorum são os únicos que até agora tentaram atrair os dois lados, mas nenhum deles foi capaz de animar o eleitorado. Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, acredita que a insatisfação dos doadores pode ajudar sua candidatura.

Um grupo de empresários republicanos de Iowa se reunirá esta semana com Christie, em New Jersey, para tentar convencê-lo a entrar na briga. Até agora, o governador, famoso pelo rigor econômico, descartou a possibilidade. Bush também esconde o jogo e diz que não é candidato.

O Tea Party é um movimento fluido de grupos comunitários conservadores e libertários que acreditam que a intervenção do Estado ameaça as liberdades individuais. A inspiração vem da Festa do Chá, de Boston, protesto de colonos americanos em 1773 contra a taxação imposta pela Grã-Bretanha. O ato foi um prenúncio da independência dos EUA.

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