Racismo aumentou após eleição de Obama

Segundo pesquisa, discriminação é mais disseminada entre republicanos e entrou na disputa eleitoral sob forma de crítica a programas do governo

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h04

A campanha presidencial de 2012 evidenciou o racismo da sociedade americana. Com Barack Obama candidato à reeleição, o preconceito emergiu sob novos códigos e na crítica à atenção do governo com relação a políticas sociais para os mais pobres. Uma pesquisa do GfK Custom Research indicou que o racismo explícito aumentou de 48%, em 2008, para 51% neste ano. O racismo implícito subiu de 49% para 56%.

A pesquisa, encomendada pela agência Associated Press, mostra também que o racismo contra negros aumentou mais entre os eleitores republicanos. Nesse segmento, 79% expressaram posições claramente racistas durante a sondagem. Entre os democratas, esse número foi de 32%.

Nos casos de manifestações implícitas, os eleitores de ambos os partidos se aproximaram - 55% entre os democratas e 64% entre os republicanos. Entre os independentes, 49% também manifestaram esse tipo de preconceito. Nos cálculos dos pesquisadores, Obama tende a perder cerca de 5 pontos porcentuais em votos por causa do preconceito.

Multiculturalismo. A eleição de Obama em 2008 é apontada como sendo a razão do aumento da reação racista da sociedade americana, ainda que haja muitos questionamentos sobre sua identificação com os negros. Filho de um imigrante queniano formado em economia na Universidade Harvard, e de Ann Dunham, filha de uma família branca do Kansas formada em antropologia, o presidente foi educado pela família da mãe e longe do pai.

Obama estudou em escolas cuja maioria de estudantes era de brancos e assimilou seus costumes. Na Universidade Columbia, era um estudante retraído, com poucos amigos e uma namorada branca, segundo um ex-colega. Formou-se em Harvard, como seu pai, e depois tornou-se professor de Direito Constitucional na Universidade de Chicago.

Eleito presidente, em 2008, Obama recebeu de seu aliado Harry Read, senador por Nevada, um conselho para evitar o artificialismo: "não tente falar como os negros". Em recente conversa com seus colaboradores, Obama exprimiu sua dificuldade em ser acolhido integralmente pelos negros americanos, ao contrário de sua mulher, Michelle.

"Parte deles (negros) pode não fazer questão de eu ser reeleito. Eles sentiriam muito mais se perdessem Michelle como sua primeira-dama", teria dito Obama.

Direitos civis. Eleitores negros do presidente, no entanto, discordam dessa visão. Rosetta Rolle, de 89 anos, militante pelos direitos civis desde 1974, acredita que o presidente represente o ideal de igualdade racial dos EUA, uma nação de imigrantes. "Muitos morreram por isso", disse.

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