AFP PHOTO / Venezuelan Presidency
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Radiante com renúncia de presidente do Peru, Maduro provoca peruano

Em evento em Caracas, presidente da Venezuela ironizou situação de ex-presidente: 'Eu achava que Kuczynski ia me receber na cúpula. Mas ele não estará mais lá. Sendo assim, quando eu chegar, quem me receberá em Lima?'

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 20h37

CARACAS - Em fevereiro, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estava espumando de raiva. O governo do Peru, então chefiado por Pedro Pablo Kuczynski, o PPK, havia retirado o convite feito ao venezuelano, dizendo que não seria mais bem-vindo na Cúpula das Américas, marcada para os dias 13 e 14 de abril, em Lima. “Faça chuva ou faça sol, por ar, terra ou mar chegarei à Cúpula das Américas com a verdade da Venezuela”, respondeu o chavista.

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Na sexta-feira, dia 23, no entanto, durante anúncio de que cortaria três zeros da moeda venezuelana, o bolívar, Maduro estava de bom humor e não economizou ironias sobre o ex-presidente do Peru. “Eu achava que (Kuczynski) ia me receber na cúpula. Mas ele não estará mais lá. Sendo assim, quando eu chegar, quem me receberá em Lima?”, declarou. “Temos de coordenar isso com o chanceler (venezuelano) Jorge Arreaza.”

Maduro afirmou ainda que a renúncia de Kuczynski ocorreu porque “a podridão da corrupção estourou na sua cara” e chamou PPK de “presidente empresário ‘lobista’ com rastros de corrupção”. “Toda a minha solidariedade neste momento de crise profunda vai para o povo do Peru, que merece um destino melhor. Estendamos nossas mãos ao povo do Peru.”

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Desde que Kuczynski renunciou, na quarta-feira, Maduro não para de falar sobre a queda do presidente peruano, que era um dos líderes sul-americanos que mais criticava o chavismo. “É lamentável     o escandaloso o caso de corrupção em que ele se envolveu”, afirmou Maduro. “Como ele pode nos dar lição de moral?” 

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Assim que soube da renúncia de PPK, Maduro postou imediatamente fotos do presidente peruano ao lado de opositores venezuelanos, incluindo o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma. “Você não pode testar o destino e brincar com as forças do inferno”, escreveu o presidente da Venezuela. / REUTERS e EFE 

 

 

 

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