Radicais islâmicos atacam Embaixada dos EUA no Cairo

Ativistas protestavam contra filme produzido em território americano que seria ofensivo ao Profeta Maomé

CAIRO, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h01

Milhares de manifestantes egípcios cercaram ontem a Embaixada dos EUA no Cairo, arrancaram do mastro a bandeira americana e a substituíram por uma bandeira islâmica, no aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Cerca de 3 mil ativistas islâmicos ultraconservadores, grande parte do movimento salafista ou de membros de torcidas organizadas de futebol ligadas a religiosos radicais, iniciaram o protesto contra um filme que disseram ser ofensivo ao Profeta Maomé. O filme foi produzido por cristãos egípcios que vivem nos EUA. A bandeira negra que substituiu a dos EUA tinha a inscrição em árabe: "Não há Deus além de Alá, e Maomé é o seu profeta". A polícia egípcia dispersou a multidão sem violência.

Questionada sobre se a bandeira levantada pelos manifestantes significava uma saudação de simpatizantes da rede terrorista Al-Qaeda - no aniversário do atentado que matou 3 mil pessoas em Washington, Nova York e na Pensilvânia, em 2001 -, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que não. "O que eu ouvi foi que a bandeira (dos EUA) foi substituída por uma bandeira negra. Mas talvez eu não esteja nem informada", disse.

Mulheres vestidas com o niqab, traje islâmico que cobre o corpo feminino inteiramente, gritavam: "Filhos da cruz, nada existe além do nosso amado Maomé".

Outros ativistas egípcios criticaram a manifestação. "Atacar a Embaixada dos EUA no 11 de Setembro e levantar bandeiras ligadas à Al-Qaeda é algo que não será compreendido pelo público americano como um protesto contra um filme sobre o Profeta", escreveu o ativista Wael Ghoneim. "Ao contrário, os americanos pensarão que é uma celebração do crime que ocorreu 11 anos atrás."

Ataque semelhante. No ano passado, no dia 9 de setembro, manifestantes egípcios pularam o muro da Embaixada de Israel no Cairo e invadiram a missão diplomática do país, no mais sério incidente internacional desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

A violência era uma retaliação à morte, semanas antes, de cinco soldados egípcios - supostamente por militares israelenses - perto da fronteira entre os dois países. Documentos da missão foram roubados e o pessoal diplomático teve de abandonar o Cairo. Desde o fim da era Mubarak, grupos religiosos radicais ganharam força no cenário político egípcio e a Irmandade Muçulmana - proscrita pelos militares - elegeu o atual presidente do país, Mohamed Morsi. / AP

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