Radicais islâmicos da Somália ameaçam atacar os EUA

Um líder da insurgência islamita da Somália ameaçou hoje atacar os Estados Unidos, durante um discurso transmitido por uma emissora local de rádio. "Nós pedimos ao presidente dos EUA, Barack Obama, que aceite o Islã antes que cheguemos ao seu país", disse Fuad Mohamed Qalaf. O grupo extremista somali Al-Shabab ainda não lançou atentados fora da África Oriental, mas agências ocidentais de inteligência acreditam que o grupo está recrutando jovens somalo-americanos. Cerca de 20 desses jovens já viajaram à Somália para treinamento e pelo menos três deles foram usados como homens-bomba em ataques no país.

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2010 | 17h48

A mensagem de rádio foi gravada na cidade de Afgoye, perto de Mogadiscio, durante uma reunião entre Qalaf e o xeque Hassan Dahir Aweys, ex-líder do grupo Hizbul Islam. Os dois líderes islamitas entraram em confronto várias vezes no passado, mas em meados deste mês anunciaram uma trégua. A Al-Shabab controla grande parte do sul e do centro da Somália.

"Nós nos unimos por causa da nossa ideologia e vamos redobrar nossos esforços para remover o governo e a União Africana (UA) do país", disse Aweys hoje. Um dos objetivos da Al-Shabab é derrubar o fraco governo somali, que controla apenas parte da capital e algumas regiões no oeste do país. O governo atualmente é mantido por 8 mil soldados da UA, procedentes do Burundi e de Uganda.

A Al-Shabab já anunciou sua aliança com a rede extremista Al-Qaeda e em julho deste ano organizou atentados em Uganda, que mataram 76 pessoas. Acredita-se que os mentores dos atentados suicidas contra as embaixadas dos EUA na Tanzânia e no Quênia, em 2008, que deixaram 224 mortos, vivam sob proteção da organização terrorista na Somália.

A Somália não tem governo efetivo desde 1991, quando a ditadura socialista entrou em colapso. Enquanto o norte do país, a Somalilândia, declarou a independência (não reconhecida pela comunidade internacional), a organização Al-Shabab controla grandes regiões no sul e centro do país. As informações são da Associated Press.

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