Radicais islâmicos tomam cidade na Somália

Radicais islâmicos somalis tomaram mais uma cidade que estava sob controle do governo, dias antes do início de conversas de paz a fim de evitar conflitos sangrentos.A milícia islâmica entrou em Sakow, a 170 quilômetros a sudoeste de Baidoa, atual base do governo, já que a capital, Mogadício, está sob controle das milícias. A cidade foi tomada na noite de quarta-feira, do ministro da Defesa Barre "Hirale" Aden Shire, sem confrontos, segundo a milícia islâmica."Os cidadãos nos recepcionaram calorosamente", acrescentou Ahmed Sheik Mohamed, governador do porto estratégico de Kismayo, que os islâmicos tomaram no mês passado, também sem confrontos. Os temores de que uma guerra possa começar aumentam após testemunhas terem visto forças do governo, apoiadas por tropas etíopes, cavando trincheiras fora de Baidoa na quarta-feira. Porém, ambos os lados poderiam estar apenas se posicionando antes das conversas de paz em Cartum, Sudão. O ministro de Informação do governo, Ali Ahmed Jama, disse que esses irão enviar seus negociadores a Cartum. "Nosso governo é pela reconciliação", disse aos jornalistas. O grupo islâmico também afirmou que irá participar das conversas, e declarou que não irá atacar Baidoa, mas continuará a avançar em outras áreas. "Nós participaremos das conversas, e não queremos atacar Baidoa em razão do grande respeito que temos pelos acordos anteriores com o governo", disse o xeque Abdirahim Ali Mudey, porta-voz do grupo islâmico, em entrevista por telefone à agência de notícias Associated Press. Milhares de refugiados somalis fugiram para o vizinho Quênia, que colocou suas forças em alerta.A comunidade internacional tem pedido por contenção de ambos os lados e exorta a milícia islâmica a parar com seu avanço contínuo. Suprimentos de combustível para Baidoa foram cortados pelas forças islâmicas, enquanto um alto membro disse à rádio local que as milícias preparam um ataque à cidade. Nos últimos cinco meses os radicais islâmicos tomaram o controle da maior parte do sul da Somália. O grupo também recrutou dois mil combatentes nas últimas semanas, que estão sendo preparados em campos de treinamento, segundo membros da milícia. As forças do governo tomaram posições de defesa a 18 quilômetros de distância de Baidoa. Milicianos islâmicos se moveram nas últimas 24 horas até Moode Moode, a 20 quilômetros de Baidoa, de acordo com Gedow Awale Golade, negociante da região. A Somália não tem um governo nacional efetivo desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre, passando então a lutar entre si, levando o país à anarquia. O governo de transição foi formado em 2004 com a ajuda da ONU, na esperança de restaurar a ordem após anos de derramamento de sangue no país, mas tem sido incapaz de assegurar sua autoridade além de Baidoa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.