Radicais palestinos fecham escritórios na Síria

Campainhas e telefones tocavam sem que houvesse resposta nos escritórios de grupos radicais palestinos em Damasco. Em vez de militantes veteranos dispostos a falar duranter horas sobre os supostos crimes cometidos por Israel, os visitantes davam de cara com pôsteres de "mártires" palestinos nas portas fechadas dos escritórios. Todos os sinais apontam para algo de que nem os palestinos, nem os sírios querem falar muito: a Síria teria cedido à pressão dos Estados Unidos para coibir a ação dos radicais que abrigou durante anos.Os EUA qualificam como "terroristas" os grupos radicais palestinos. Encontrado em casa nesta terça-feira, Ahmed Jibril, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), confirmou que os escritórios de seu grupo e de outras nove organizações em Damasco foram fechados. No entanto, preferiu não revelar o motivo. Em conversa com um jornalista na semana passada, Jibril disse que a Síria não pediu a ele que fechasse o escritório, mas afirmou estar "pronto para atender a qualquer pedido sírio se isso fosse realmente útil à política síria". Por sua vez, o exilado palestino Khaled al-Fahoum disse que não houve pressão por parte da Síria, mas os grupos palestinos agiram por se preocuparem com a "estabilidade e a segurança" do país, em meio à crescente tensão na região e às acusacões de Washington contra Damasco. Perguntado ontem sobre se o governo havia fechado os escritórios dos grupos considerados extremistas, o ministro sírio das Relações Exteriores, Farouk al-Sharaa, disse apenas: "Esta é uma questão palestina, não síria."

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