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Radicalismo perde apoio nos rincões do Paquistão

A violência no Paquistão não amainou desde o assassinato de Benazir Bhutto. No dia 9, um suicida detonou os explosivos que levava presos ao corpo no meio de um comício do Partido Nacional Awami, nacionalista pashtun. E mais uma vez, o Taleban e as forças ligadas à Al-Qaeda foram responsabilizados pela carnificina. Mas se esses grupos acham que suas ações criminosas estão contribuindo para sua imagem no Paquistão estão completamente enganados. Uma nova pesquisa de opinião realizada no Paquistão revelou uma queda dramática do apoio à Al-Qaeda, ao Taleban, a Osama bin Laden e outros grupos islâmicos radicais no país. Em agosto de 2007, uma pesquisa realizada pela organização Terror Free Tomorrow, de Washington, mostrou que entre um terço e metade dos paquistaneses tinha uma opinião favorável da Al-Qaeda e dos grupos radicais ligados à rede de Bin Laden. Quando a pesquisa foi repetida em janeiro, esse apoio tinha despencado para menos de 20%.A Al-Qaeda e o Taleban também estão perdendo pontos em seus redutos. Na Província da Fronteira Noroeste, onde possivelmente Bin Laden está escondido, o apoio à Al-Qaeda e ao Taleban despencou para 4%. Na pesquisa de agosto, 70% da população da região era favorável a Bin Laden. Em uma reviravolta igualmente assombrosa, quase dois terços dos paquistaneses pretendem votar em partidos políticos moderados nas eleições de amanhã. Na pesquisa anterior, menos de 40% disseram que votariam em partidos moderados, como o Partido Popular do Paquistão, de Benazir, e a Liga Muçulmana do Paquistão-N, do ex-premiê Nawaz Sharif. Certamente esses números foram afetados pelo assassinato de Benazir, de longe a personalidade política mais popular do país. Mas não há mais dúvida de que uma eleição realmente justa e livre no Paquistão terá como resultado uma nítida vitória das forças moderadas sobre os radicais e extremistas. Naturalmente, essa eleição também significaria o fim do longo governo ditatorial do presidente Pervez Musharraf. Os paquistaneses afastaram-se dos partidos radicais e também rejeitaram Musharraf. A maioria dos paquistaneses quer que Musharraf renuncie e mais da metade acredita que ele ou seus aliados são responsáveis pela morte de Benazir. Com o amplo apoio que os partidos de Benazir e Sharif parecem dividir, podem obter a maioria de dois terços no Parlamento, necessária para remover Musharraf da presidência. É certo que ele não abandonará o poder tão facilmente. Musharraf ainda tem grande apoio dos Estados Unidos, que lhe forneceu bilhões de dólares em troca da sua ajuda na chamada "luta contra o terrorismo". Mas esses dados mostram que um governo democrático e livremente eleito servirá melhor aos interesses de segurança nacional não só do Paquistão, mas também dos EUA e, efetivamente, do mundo. O fato é que o Paquistão tem uma população urbana e sofisticada, em sua maioria jovem, que anseia pela democracia e o Estado de Direito. Se tiver a oportunidade de escolher seus líderes, não há dúvida que elegerá, por maioria esmagadora, os partidos moderados, dando ao Paquistão um governo que desfrutaria, finalmente, da legitimidade popular necessária para organizar uma campanha militar eficaz contra a Al-Qaeda e o Taleban - legitimidade que claramente falta a Musharraf. O Paquistão ainda pode ser um aliado dos EUA em sua luta contra a Al-Qaeda e o Taleban, mas desde que a democracia possa prosperar no país. Benazir deu sua vida pela crença de que um Paquistão mais livre, mais democrático, seria intrinsecamente um melhor parceiro dos EUA na guerra contra o terror. A pesquisa da organização Terror Free Tomorrow é uma prova de que esse sonho não morreu com ela. *Reza Aslan é analista sobre o Oriente Médio para a CBS News e autor do livro ?No God but God: The Origins, Evolution and Future of Islam?. *Kenneth Ballen é presidente da organização Terror Free Tomorrow. Escreveram este artigo para ?Global Viewpoint?.

Reza Aslan* e Kenneth Ballen*, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 00h00

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