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Rádio comunitária doutrina moradores de bairro pobre

Arsenal FM faz campanha para Maduro com 'bombardeio de ideias'

O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h10

Os barracos de alvenaria e os prédios de conjuntos habitacionais que cercam o pequeno estúdio da Rádio Arsenal ainda ostentam faixas pretas de luto pela morte de Hugo Chávez, em 5 de março.

A favela urbanizada de 23 de Enero, berço da emissora comunitária, foi projetada ainda no período da ditadura de Marcos Pérez Jiménez (de 1953 a 1958), mas se tornou um reduto de resistência e referência de organização comunitária.

Criada para ser a voz de uma comunidade extremamente pobre, mas politicamente forte, a Arsenal FM transmite para toda a Grande Caracas e tem programação voltada para a "conscientização política e noticiário de interesse dos moradores".

"Esta é a Rádio Arsenal, bombardeando sua consciência com ideias", começa o locutor Frenzel , ligado ao movimento Coletivo Alexis Vive Carajo. O grupo leva o nome de Alexis González, morador e ativista morto pela polícia durante os distúrbios do golpe fracassado contra Chávez em abril de 2002.

No dia do aniversário do golpe - e às vésperas da eleição de hoje - o programa Aula Comunal, parte do esforço de conscientização da emissora, foi totalmente dedicado a lembrar os acontecimentos daquele abril, claro, sob o ponto de vista do chavismo.

Ao convocar todos a votar em Maduro hoje, o próprio Frenzel lembra de quando enfrentou militantes e forças antichavistas em Puente Llaguno, região do confronto mais sangrento e notório dos dias de golpe, com saldo de 19 mortos.

"Mas todo 11 tem seu 13", conclui, usando o slogan cunhado pelo próprio Hugo Chávez, referindo-se às datas do golpe e de seu retorno ao poder, dois dias depois. Jesús Bermúdez, criado no bairro, hoje funcionário público e também locutor da Arsenal, mostra os prédios ao redor e conta que as melhorias trazidas pela organização em "comunas", com apoio financeiro do governo, foram essenciais para dar alguma qualidade à vida dos moradores.

As "comunas" também criam parte de sua própria renda, com padarias para a população mais pobre e convênios com outras empresas. "Votar em Maduro é como cumprir um dever com um homem que foi tão grande como Chávez", afirma. "O povo está totalmente com Maduro".

O histórico de violência, o tráfico de drogas e uma população muito armada no 23 de Enero também levou os coletivos a fazerem "acordos" com a polícia.

"Eles só vêm até aqui quando há algo muito grave. Os problemas comuns são resolvidos pelas próprias comunas", diz Jesús.

Uma das formas de combater a violência é o que os integrantes do coletivo chamam de "inteligência social" - conjunto de recomendações que levam os moradores a vigiar uns aos outros e a vizinhança. Essa "inteligência social", convoca Frenzel, deveria também ser usada para evitar que a oposição provocasse distúrbios na eleição. "Devemos estar vigilantes." / F.C.

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