Rafael Correa pede volta de Chávez à CAN, mas ameaça saída

O presidente eleito do Equador, Rafael Correa, voltou neste sábado a pedir a volta da Venezuela à Comunidade Andina de Nações (CAN) para fortalecê-la, mas também advertiu que pode tirar seu país do bloco se isso não acontecer.O Equador está disposto a apresentar condições para um melhor funcionamento do grupo, mas ameaça deixá-lo se os resultados não aparecerem em um ano. Correa já criticara a CAN por considerar que os Tratados de Livre-Comércio (TLC) negociados por Colômbia e Peru com os Estados Unidos tinham prejudicado gravemente ao grupo regional andino.O presidente eleito do Equador, que assumirá o poder em 15 de janeiro, não descartou uma reunião com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales, para analisar a possibilidade de um retorno venezuelano à CAN.Segundo Correa, "não há tempo a perder" na Comunidade Andina, que foi colocada a toda prova quando Chávez decidiu tirar a Venezuela, no início do ano.A CAN, no entanto, conseguiu atrair o Chile, um antigo parceiro do grupo que voltou como membro associado. Além disso, serão iniciadas negociações com a União Européia (UE) para um acordo de associação comercial. Em contrapartida, Correa destacou os êxitos da visita feita esta semana à Venezuela, onde concretizou acordos petroleiros.O presidente eleito disse que uma das ações de seu mandato será firmar um acordo para a troca de petróleo equatoriano por derivados do produto feitos na Venezuela. "A Venezuela vai nos pagar um pouco mais pelo petróleo e, aomesmo tempo, cobrar menos pelos derivados", disse Correa, lembrando que o Equador tem um déficit de produção de gasolina.O atual Governo, presidido por Alfredo Palacio, negociou este ano com a Venezuela um acordo que representava uma economia US$ 60 milhões anuais ao Equador. Porém, segundo o presidente eleito, as gestões fracassaram por pressões de grupos com interesses petroleiros.Correa também lembrou o caso das fumigações nas plantações da Colômbia. O Governo equatoriano exige que estas sejam suspensas por considerar que a substância química utilizada, o herbicida glifosato, é levada pelo vento até o Equador e tem efeitos nocivos para a saúde e o meio ambiente.Devido a esta crise diplomática, Correa cancelou uma visita a Bogotá, condicionando-a à suspensão das fumigações - segundo o Governo colombiano, estas acabarão em cerca de seis dias."Isso é inaceitável para o Equador, que deverá processar a Colômbia em nível internacional para ter pelo menos um retorno econômico pelo abuso cometido", disse Correa.

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