RAI cancela programa de TV que satirizava Berlusconi

A organização Repórteres sem Fronteiras denunciou hoje a decisão da televisão italiana RAI de cancelar um programa satírico cujo principal alvo é o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A organização afirma se tratar de uma medida de censura e que prejudica a imagem da Itália. No início desta semana, o diretor-geral da emissora, Agostinho Sacca, cancelou a terceira de uma série de seis programas que satirizava o magnata convertido em político, alegando que tantas transmissões em apenas uma semana "eram demais em todos os sentidos".Os deputados de oposição classificaram a medida de ditatorial e lembraram que esta não foi a primeira vez que a RAI cortou programas que criticavam Berlusconi. No início do ano, a emissora encerrou dois programas dirigidos por conhecidos críticos de Berlusconi, os quais o primeiro-ministro havia acusado previamente de fazer "uso ilegal" da televisão estatal. "A proibição de um programa satírico de qualidade tal como o Blob (nome do programa cancelado), apenas porque critica freqüentemente o primeiro-ministro, é censura pura e simples", disse o secretário-geral do grupo Repórteres sem Fronteira, Robert Menard, em uma carta dirigida a Sacca.Berlusconi é o homem mais rico da Itália e preside um império de mídia avaliado em US$ 7,2 bilhões, o qual inclui editoras, revistas, jornais, publicidade e a Mediaset, a maior cadeia privada de difusão do país. Junto com os três canais da RAI, o primeiro-ministro controla direta ou indiretamente 90% do mercado da televisão italiana.

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