REUTERS/Clodagh Kilcoyne
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Rainha Elizabeth brinca dizendo ainda estar viva, mas não comenta referendo

Monarca tem um papel imparcial no Reino Unido e raramente faz declarações suscetíveis de serem interpretadas como uma opinião sobre os acontecimentos políticos atuais

O Estado de S. Paulo

28 Junho 2016 | 16h21

LONDRES - Vendo seu reino em tumulto na esteira do referendo que decidiu a desfiliação britânica da União Europeia  (UE) na semana passada, a rainha Elizabeth II, que fez 90 anos em abril, não perdeu o senso de humor, brincando ao dizer que ainda está viva.

Elizabeth, a monarca mais velha do mundo e a mais longeva do Reino Unido, fez a piada, captada por uma equipe de televisão, durante uma turnê de dois dias pela Irlanda do Norte. No entanto, não fez nenhum comentário público sobre o resultado do referendo sobre a UE.

Indagada pelo vice-primeiro-ministro da região, Martin McGuinness, se estava bem, a rainha respondeu: "Bem, ainda estou viva". E acrescentou: "Ando bastante ocupada, há muita coisa acontecendo".

Depois de seis décadas no trono, a monarca reduziu suas viagens internacionais, mas ainda realiza funções oficiais com regularidade em todo o Reino Unido e tem encontros semanais com o premiê britânico, David Cameron.    

Na sexta-feira, Cameron a visitou no Palácio de Buckingham para comunicar pessoalmente sua intenção de renunciar em outubro após a vitória do Brexit no referendo. 

Como manda o protocolo, o premiê foi à residência real para uma audiência pessoal com Elizabeth para comunicar que seu partido deverá escolher o novo líder do Partido Conservador e, portanto, o novo chefe do governo.

Em maio, o Palácio de Buckingham desmentiu uma informação de um jornal partidário da saída de que a rainha havia se pronunciado contra a União Europeia.  

"A rainha continua sendo politicamente neutra, como foi durante 63 anos", afirmou a Casa Real em um comunicado. "Não faremos comentários sobre declarações falsas de fontes anônimas. O referendo é um assunto que os britânicos devem decidir."

O jornal, que citou uma fonte anônima, assegura que a rainha afirmou, em um almoço em 2011, que a UE estava seguindo um caminho errado, referindo-se à questão. Na ocasião, estava presente o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, que desmentiu essa informação, classificando-a de "sem sentido".

Por outro lado, durante uma visita à Alemanha, em junho, a rainha fez discurso que foi interpretado com um viés pró-europeu. "Sabemos que a divisão na Europa é perigosa e devemos evitá-la tanto no oeste quanto no leste de nosso continente", declarou a rainha em um banquete de Estado.

O discurso, que continha referências históricas às lições da 2ª Guerra, à queda do Muro de Berlim e à reunificação alemã, também foi uma defesa do Reino Unido na Europa. "O Reino Unido sempre esteve envolvido estreitamente em seu continente. Incluindo quando nosso enfoque principal estava em outro lugar no mundo, nosso povo teve um papel-chave na Europa", afirmou a rainha.

A rainha tem um papel imparcial no Reino Unido e raramente faz declarações suscetíveis de serem interpretadas como uma opinião sobre os acontecimentos políticos atuais. / REUTERS, EFE e AFP

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