Raio foi a causa do blecaute, dizem autoridades

Um raio que atingiu uma usina hidrelétrica do sistema de Niágara, situada no Estado de Nova York, na fronteira com o Canadá, foi a causa anunciada para o apagão em cascata que atingiu toda a cidade de Nova York e várias outras cidades americanas e canadenses e suscitou temores de que se tratasse de um ato de terrorismo. O maior colapso do fornecimento de energia na história dos Estados Unidos alastrou-se até partes de Detroit, em Michigan, Toledo e Cleveland, em Ohio, Erie, na Pensilvânia, e cidades em New Jersey e Connecticut. A eletricidade acabou também em Toronto e Ottawa, a capital do Canadá. A causa do apagão foi anunciada à noite pelo governo canadense. À noite, o presidente George W. Bush anunciou em entrevista coletiva que o governo federal estava trabalhando com autoridades estaduais e municipais nas áreas afetadas para restaurar a energia o quanto antes, e ressaltou: "Isto não foi um ato terrorista." Bush afirmou que o país está "melhor organizado hoje para lidar com emergências do que há dois anos e meio" e elogiou a calma com que a população nova-iorquina reaiu ao apagão. Por causa do apagão, nove usinas nucleares americanas - nos Estados de Nova York, New Jersey, Ohio e Michigan - tiveram de ser fechadas. Em Manhattan, as centenas de milhares de pessoas que invadiram ruas subitamente congestionadas produziram imagens que lembravam o trágico 11 de setembro de 2001, quando multidões abandonaram o centro de Nova York depois do colapso das torres gêmeas do World Trade Center. Os três aeroportos da região metropolitana foram fechados e um incontável número de pessoas ficou momentaneamente retido em túneis de metrô e elevadores. A interrupção dos serviços de transportes aéreos e terrestres ocorreu em todas as cidades atingidas pelo apagão. Mas não houve pânico generalizado.O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, procurou tranqüilizar a população da cidade dizendo que se tratava, "provavelmente, de uma ocorrência natural". Após recomendou a todos que caminhassem calmamente para suas casas e não se esquecessem de tomar bastante água por causa do calor, o prefeito pediu que as pessoas desligassem seus aparelhos elétricos em casa, para não complicar a operação de restauração gradual do fornecimento de energia, que começara pouco antes a partir do norte e oeste de Nova York e estava prevista para demorar algumas horas. Segundo Bloomberg, "com um pouco de sorte", a energia voltaria em larga escala antes de anoitecer, o que acabou não ocorrendo. O governador de Nova York, George Pataki, declarou estado de emergência no Estado e o FBI (polícia federal americana), por via das dúvidas, iniciou uma investigação preliminar. Um funcionário do escritório de administração de emergências dos Estados Unidos afirmou, inicialmente, que não tinha idéia da extensão do problema. Mas o Departamento da Segurança Interna, criado depois do 11 de setembro, logo confirmou que não havia nenhum indício de terrorismo. O apagão ocorreu 15 minutos depois do encerramento dos pregões dos mercados de capitais em Wall Street. O Departamento do Tesouro informou que as Bolsas de Valores concluíram suas operações do dia de forma ordeira e que o episódio não afetara o mercado de capitais. (Paulo Sotero)Para ler sobre o blecaute: Blecaute faz Nova York lembrar 11 de setembroBush afirma que blecaute não foi ato terrorista Quatro reatores nucleares fechados pelo blecaute nos EUANosso repórter conta como estão as ruas de Nova YorkEm meio ao blecaute, prefeito pede cuidado com o calorEnergia elétrica falha nos EUA e no CanadáSobrecarga pode ter causado o blecauteBlecaute afeta quatro grandes aeroportosEste é mais um de uma longa série de blecautesPara o FBI, blecaute foi "evento natural", diz fonte

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