AFP PHOTO / EMMANUEL DUNAND
AFP PHOTO / EMMANUEL DUNAND

Rajoy evita falar da crise com Catalunha em encontro da UE

Segundo fontes diplomáticas, durante jantar de líderes a chanceler alemã, Angela Merkel, perguntou ao primeiro-ministro espanhol se ele desejava discutir o conflito de seu governo com os independentistas, mas o político conservador recusou a oferta

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 14h44

BRUXELAS - O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, evitou falar sobre o conflito com os independentistas catalães durante um jantar de líderes da União Europeia (UE), em Bruxelas, apesar da uma pergunta sobre o assunto feita pela chanceler alemã, Angela Merkel, informaram fontes diplomáticas nesta sexta-feira, 20.

Após catalães, moradores de Veneza sonham com maior autonomia em relação a Roma

"Durante o jantar (na quinta-feira), Merkel perguntou a Rajoy se ele queria falar sobre Catalunha. Ele indicou com a cabeça que não", disse uma fonte, coincidindo com outra fonte que ressaltou a indisposição do líder espanhol em discutir a questão durante a cúpula de dois dias do bloco.

Desde o início do desafio separatista na Catalunha, as autoridades espanholas têm tentado evitar que essa crise política ganha alcance pela Europa, apesar dos reiterados pedidos dos líderes independentistas catalães de uma mediação internacional.

Em um primeiro momento, as instituições e líderes europeus indicaram que a situação na Catalunha, onde o governo regional realizou um plebiscito de independência em 1º de outubro, desafiando uma proibição da Justiça do país, era um "assunto interno da Espanha".

No entanto, a resposta de Madri, que tentou evitar a realização da votação com uma ríspida atuação da polícia contra os eleitores e os centros de votação, criou uma brecha no posicionamento europeu e vários líderes condenaram a violência e o uso excessivo da força.

Em sua primeira cúpula europeia desde então, Rajoy evitou falar sobre a questão, não apenas durante a reunião, mas também ao chegar e sair do evento, o que contrastou com o firme apoio que recebeu de vários mandatários europeus na quinta-feira.

O presidente francês, Emmanuel Macron, por exemplo, disse ao chegar na reunião que a cúpula seria marcada por uma "mensagem de unidade" em torno da Espanha, enquanto que Merkel, um líder próxima a Rajoy, defendeu a busca de "soluções no marco da Constituição" espanhola.

A voz dissonante entre os líderes foi a do primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, que numa mensagem muito mais forte pediu uma "desescalada do conflito na Espanha e o diálogo" para alcançar uma "solução política" para o caso.

Rajoy teve uma reunião bilateral com Mácron na qual os dois discutiram a questão de trabalhadores deslocados, mas não a situação na Catalunha, segundo uma fonte diplomática.

Ao ser questionado por jornalistas nesta sexta, o líder espanhol finalmente comentou a crise, ao afirmar que seu país "chegou em uma situação limite" na questão catalã, mas defendendo que trata-se de um "assunto da Espanha" e não da Europa. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.