Pierre-Phillippe Marcou/AFP
Pierre-Phillippe Marcou/AFP

Rajoy fecha acordo com liberais e marca votação no Parlamento

Primeiro-ministro da Espanha sela aliança com o Ciudadanos para manter poder; voto de confiança no Congresso será dia 31

Andrei Netto   CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2016 | 19h51

O impasse político que dura desde dezembro na Espanha se encaminha para o fim. O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, ficou mais perto de retomar os plenos poderes após o Comitê Executivo do Partido Popular (PP), que ele lidera, aprovar uma aliança nesta quinta-feira, 18, com a legenda centrista Ciudadanos. 

Pelo acordo, os dois partidos se aliarão no Parlamento em torno de um programa de seis reformas, entre as quais a da legislação eleitoral e um pacto anticorrupção. Com isso, o premiê vai se submeter à aprovação do Legislativo no dia 31. 

As seis condições haviam sido impostas na semana passada por Albert Rivera, o líder do partido liberal Ciudadanos. Além da reforma eleitoral, que estabelecerá a lista aberta de candidatos, a limitação do número de mandatos também para deputados e a proporcionalidade na formação do Parlamento, o pacto prevê medidas para combater a corrupção, como o fim do foro privilegiado para parlamentares, a expulsão do partido para acusados de recebimento de propinas e a proibição do perdão para pessoas condenadas por corrupção. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será aberta para investigar as denúncias de financiamento ilegal no interior do PP.

Rajoy consultou o Comitê Executivo de seu partido, que aprovou a aliança PP-Ciudadanos. Juntas, as legendas somam 169 deputados, um total inferior à maioria absoluta, de 176 – o que ainda não lhe garante a posse. “Pedi duas coisas a Rajoy: primeiro, que ele assine o pacto anticorrupção, o que aceitou. A segunda, que ele fixe a data da posse o mais rápido possível, e ele se comprometeu a fazê-lo”, disse Rivera.

Horas depois, Rajoy anunciou que os debates no Parlamento em torno do voto favorável ou não à posse terão início no dia 30, e a votação ocorrerá no dia seguinte. “Superamos uma etapa decisiva em direção à formação de um governo, que permitirá evitar novas eleições”, disse Rajoy.

PP e Ciudadanos passam a trabalhar para angariar 7 votos a favor ou 13 abstenções, condição para a posse de Rajoy. Desde já, cresce a pressão sobre o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, para que seus deputados aceitem se abster no pedido de voto de confiança a que o premiê terá de se submeter. Os socialistas têm 85 deputados e são a segunda força política do país.

“Ciudadanos deram um passo à frente, o Partido Socialista não deu nenhum. Sem esse passo, a posse não será possível”, advertiu Rajoy. Sánchez tem se recusado a permitir que Rajoy reassuma, mesmo que tenha chegado em primeiro lugar nas duas eleições realizadas em dezembro e junho.

“Rajoy quer governar sem oposição. Não vamos apoiar aquilo que queremos mudar”, reiterou Sánchez, que no entanto sofre pressões internas para ceder. Caso o líder do PSOE não aceite o acordo, o PP ameaça convocar novas eleições para o dia 25 de dezembro, em pleno Natal.

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