Rajoy promete entregar documentos pessoais

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, se moveu para conter o escândalo de corrupção que atingiu ele e outros membros de seu partido prometendo apresentar suas declarações de imposto de renda e prestar conta de seus bens na próxima semana. Mas o movimento não parece capaz de melhorar o humor da população espanhola em relação ao escândalo de corrupção que paira sobre a estrutura política do país.

EQUIPE AE, Agência Estado

03 de fevereiro de 2013 | 19h57

Centenas de pessoas chamando o líder espanhol de criminoso tomaram as ruas de Madri, Barcelona e outras cidades no final da tarde de sábado, após Rajoy ter alegado em rede nacional de televisão "transparência máxima" na solução das alegações que estão abalando o conservador Partido Popular e seu governo.

Neste domingo, o partido Socialista espanhol, de oposição, pediu a renúncia do primeiro-ministro e um abaixoassinado contendo 769 mil assinaturas de ativistas do endereço na internet Change.org pediram a limpeza das instituições políticas espanholas.

Durante uma coletiva de imprensa neste domingo, o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que as acusações estavam tornando difícil para Rajoy manter suas funções como primeiro-ministro, num período de crise política.

"Rajoy não pode governar o país num período delicado como este. Tê-lo no comando do governo não vai permitir que a Espanha supere sua crise política", disse ele, acrescentando que o premiê deveria "deixar o cargo para alguém que possa restaurar a credibilidade do país".

A resposta dos socialistas ocorreu 24 horas depois de Rajoy ter negado enfaticamente, num discurso pela televisão, o recebimento de recursos não declarados. No sábado, Rajoy convocou uma reunião de emergência dos líderes do partido para responder às acusações sobre pagamentos secretos para sua legenda, o Partido Popular (PP). Dois dias antes, o principal jornal espanhol, o El País, informou que ele e vários outros líderes do partido receberam, entre 1997 e 2008, pagamentos regulares e não declarados de um sistema de contabilidade secreto comandado por um ex-tesoureiro do partido.

Na quinta-feira, o El País publicou trechos dos livros de contabilidade manuscritos do ex-tesoureiro, mostrando supostos pagamentos para Rajoy, com valores que chegaram a uma média de 25.200 euros (US$ 34.371). Neste domingo, o jornal publicou todos os registros, que também mostram supostos pagamentos a líderes de outros partidos e que superam, em muito, seus salários.

O PP contestou a autenticidade dos registros. Durante uma coletiva de imprensa pouco depois das declarações de Pérez Rubalcaba, o porta-voz do partido, Esteban González Pons, disse que o líder opositor "sabe que os documentos publicados pela imprensa não fazem parte da contabilidade do PP" e disse que Perez Rubalcaba está cometendo um erro ao tentar tirar vantagem da situação.

Nas últimas semanas, jornais espanhóis relataram que centenas de milhares de euros foram enviados para as contas do partido durante o período compreendido entre meados dos anos 1990 e 2000. Parte desses recursos teria sido enviado por executivos do setor de construção civil e de outros setores empresariais, cujas empresas tentaram fechar contratos com o governo. O El País disse que os principais líderes receberam milhares de euros por ano em dinheiro vivo em envelopes.

Uma pesquisa publicada na edição deste domingo do El Pais mostrou que mais de três quartos dos espanhóis acreditam que nem Rajoy nem o Partido Socialista "respondem de forma eficaz" às evidências de corrupção. Pelo menos 90% acredita que a corrupção desmoraliza a população espanhola, atinge a credibilidade do país no exterior e apresenta risco de reduzir o investimento estrangeiro, mostrou a pesquisa.

Apesar de estar com a popularidade corroída, não parece que Rajoy enfrenta ameaça imediata de perder seu posto. Qualquer investigação judicial sobre os pagamentos alegados pode demorar anos. Enquanto isso, seu partido detém a maioria no Parlamento, eleições nacionais só ocorrerão em três anos, e seus oponentes estão igualmente desacreditados.

Um levantamento do El Pais, conduzindo pela empresa de pesquisa independente Metroscopia, feita após as últimas acusações mostrou que o Partido Popular detém 23,9% da preferência dos eleitores se as eleições fossem hoje, abaixo dos 44,6% em novembro de 2011, quando Rajoy venceu as eleições.

Mas o Partido Socialista, que governou a Espanha durante os oito anos anteriores, teria inclusive menos votos, e seu líder, Rubalcaba, tem uma taxa de desaprovação de 81% comparada com a taxa de77% de Rajoy. As informações são da Dow Jones.

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