Felice Calabro/AP
Felice Calabro/AP

Rajoy promete rapidez para formar novo governo na Espanha

Primeiro-ministro interino diz que pode construir grande coalizão que una direita e esquerda, apesar da oposição do PSOE

O Estado de S. Paulo

27 Junho 2016 | 18h33

MADRI - O primeiro-ministro interino da Espanha, Mariano Rajoy, prometeu nesta segunda-feira, 27, rapidez para formar governo após o seu Partido Popular ter vencido as eleições gerais de domingo. O segundo partido mais votado, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) descartou formar um governo de coalizão com os conservadores. 

No momento em que a Europa inicia uma era de incertezas em virtude da desfiliação britânica da União Europeia, os partidos espanhóis estão sofrendo pressão para evitar as negociações longas e infrutíferas, como as  que se seguiram às eleições inconclusivas de dezembro.

"O que a Espanha precisa, e precisa já, é um governo com um apoio parlamentar forte, capaz de gerar confiança dentro e fora da Espanha, capaz de encarar as reformas que a Espanha ainda precisa e dar estabilidade à Europa em um momento no qual ela precisa disso", afirmou Rajoy ao conclamar as outras legendas a se unirem a uma grande coalizão de partidos de centro-esquerda e centro-direita.

O primeiro-ministro interino disse também ter esperança de fechar um acordo com outras agremiações para a composição de um gabinete nestes moldes dentro de um mês.

À imprensa espanhola, o porta-voz do PSOE, Antonio Hernando, insistiu que agora corresponde  Rajoy dar o primeiro passo para tentar formar um governo, porém rechaçou fazer parte dele. 

A líder socialista Susana Díaz, presidente da Andaluzia, tradicional reduto da esquerda espanhola, opinou que é preciso "reconstruir" o projeto socialista. "Precisamos de um projeto afastado do imobilismos e das políticas regressivas da direita, mas afastado também -com clareza- da aventura e do populismo", afirmou em clara referência à coalizão Unidos Podemos.

Avanço. Contrariando as expectativas, o PP foi a única legenda a avançar na legislatura sem partido majoritário, já que os eleitores preferiram voltar aos partidos convencionais e abandonaram os partidos antiestablishment que se saíram bem no final do ano passado, como o Podemos e o Ciudadanos. 

Mas, embora os resultados tenham dado ao PP algum ímpeto para as conversas com outros líderes, o partido ainda enfrenta opções difíceis - entre elas, tentar convencer o PSOE, seu rival de longa data, a apoiar ou pelo menos permitir um governo de viés conservador.

O PP terminou o domingo com 137 cadeiras, mais que as 123 de dezembro, mas são necessárias 176 para uma maioria governar sozinha.

De viés centrista, o Ciudadanos, visto como um aliado mais natural do PP, conquistou 32 assentos. A aliança de esquerda anti-austeridade Unidos Podemos, que previsões colocavam adiante do PSOE, ficou em terceiro com 71 vagas. 

Muitos eleitores acreditam que algum tipo de acordo será mais fácil de se obter agora que o PP está em uma situação melhor do que as pesquisas haviam previsto.

"Foi uma grande surpresa, mas agora pelo menos existe a chance de alguma estabilidade", disse o especialista em energia autônomo Fernando Cierva, de 52 anos, morador de Madri que contou ter votado no Ciudadanos. / EFE e REUTERS

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