Ramificação da Al-Qaeda ameaça atacar a Austrália

Um grupo que se identifica como sendo o ramo europeu da rede Al-Qaeda ameaçou transformar a Austrália em um ?mar de sangue? se o país não retirar suas tropas do Iraque. Na semana passada, os terroristas já haviam feito ameaças semelhantes contra a Bulgária e a Polônia.?Insistimos que abandonem o Iraque antes que seu país se converta em um mar de sangue?, disse o grupo islâmico Tawhid em mensagem ao governo australiano publicada na Internet neste sábado à tarde. ?Faremos a terra debaixo de vocês estremecer, como fizemos na Indonésia, e a seqüência de carros-bomba não cessará, com a vontade de Alá?, prossegue o comunicado, fazendo referência a um atentado ocorrido em Bali em 2002 que matou 202 pessoas. A Jemaah Islâmica, outro grupo vinculado à Al-Qaeda, foi culpada pelo ataque.É a segunda vez em uma semana que surge um comunicado da Tawhid, um grupo antes desconhecido. Na quarta-feira, a facção ameaçou atacar a Bulgária e a Polônia se as tropas daqueles países não abandonassem o Iraque. Na mensagem deste sábado, a Tawihid também frisou que a Itália deve cumprir ?uma advertência anterior?. ?Os aconselhamos a aceitarem nossa proposta pois, em caso contrário, verão fileiras de carros carregados de explosivos, que atacarão seu povo e transformarão noites em dias, com a vontade de Alá. Juramos que verão o inferno com seus próprios olhos?, conclui.O comunicado não dá mais detalhes sobre a proposta a que faz referência. Mas, no começo deste mês, as Brigadas Abu Hafs al-Masri, vinculadas à Al-Qaeda, ameaçaram realizar um grande ataque à Itália se o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, firme aliado do presidente dos EUA, George W. Bush, não renunciasse.Austrália não pretende retirar tropasAssim que tomou conhecimento da ameaça, o governo da Austrália criticou a Espanha e as Filipinas ?por terem cedido aos terroristas? e retirado seus soldados dos Iraque. ?Infelizmente, essa postura incentivou os terroristas a continuar com as ameaças?, disse o chanceler australiano Alexander Downer.Ele responsabilizou o governo filipino ? que retirou as tropas do Iraque em troca da libertação de um refém ? pelos seqüestros de outras seis pessoas no dia seguinte à decisão de Manila. ?Se começarmos a ceder aos terroristas e a retirar nossas tropas porque exigem, nossa política externa e nossas relações internacionais serão determinadas por eles, e no futuro seremos muito vulneráveis a mais exigências?, concluiu.

Agencia Estado,

25 de julho de 2004 | 05h49

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